sábado, 28 de fevereiro de 2009

poema

POBRE

Nascer é condição
Vir ao mundo pobre
Não é defeito então
Deve lutar-se contra
Essa condição
Criada pela sociedade
Numa eterna aberração
O pobre de espírito
Se nasce pobre
E não luta
Além da condição
É como biruta
Mesmo que adulador
Será sempre um anão
Sem ofensa
Falta-lhe ambição
Não sonha
Parece sem objectivos
Sem ambição

Daniel Costa


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

poema

A VIAGEM

Num dia de solidão
Concebi uma viagem
Desde então a minha vida
Conheceu uma viragem
Esvoacei até ao infinito
Avistei um mundo esquisito
Um primeiro a apregoar milhões
Povo apenas com miragens
Onde apenas chegam tostões
As farturas no reino
Pareciam ser tantas
Eram bravatas afinal
De quem veio falar de beatas
Aconteceu em Portugal
Um país de beleza natural
Onde há homens
De tamanha pequenez
Foi assim que Deus os fez
A apregoar riquezas
Onde apenas há mesquinhez
Que caminho segue Portugal?

Daniel Costa


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Poesia Experimental

PENSAMENTO EM VERSO

Como poderá um antigo cavador


Chegar a ser poeta?

Perguntará um qualquer vaidoso

Enfim até um pateta

Em nome de Moisés responderei:

Durante bastantes anos

Com companheiros de mãos grandes

Afagando a enxada, a terra desbravei

Depois alguma poesia publiquei!


Daniel Costa - in "JORNAL DA AMADORA" - 02/11/2006


NOTA:

O poema, diga-se poesia experimental, é a repetição do editado, no mitalaia, em 25/07/2007.

TRÊS PERGUNTAS FICAM POSTAS:

Será possível, um cavador de jorna (de eleição) chegar a publicar poesia?

Será possível, um cavador do jorna (de eleição) criar, registar oficialmente, dirigir e editar uma publicação?

Será possível, um cavador de jorna (de eleição), figurar num Anuário de Inglaterra, como editor?

Entretanto, veja o pensamento de que editei, de Teixeira de Pascoais, no blogue arneiro.
http://sol.sapo.pt/blogs/arneiro/default.aspx

Daniel Costa

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

poema

BANQUEIROS

Governam bancos
Dizem sem dinheiro
Lágrimas de crocodilo
Praga no mundo inteiro
Depois das Carmesses
Coitado do banqueiro!
Em chorudos ordenados
Muitas benesses
Comilões estimados
Entram os Estados
Arrecadaram não ficaram sós
Porque consentiu o Estado
Pagam os impostos de todos nós
Depositamos
Sediamos contas
Quando o fazemos emprestamos
Ordeiros, se necessitamos
Porque muitos arrecadam
Por tudo pagamos
Nas benesses não há danos
Pudera!...
Para o deles zelarem
Estão prontos os maganos
Para isso não há enganos
Foram beneficiados
Nos impostos
Bastantes vieram de governar o Estado
Acautelaram o futuro
Isso é um dado
Onde estão os milhões?
Que diziam ter arrecado
Porque somos nós o Estado!
Pagamos como os Gulliver’s dos tostões
Questiona-se:
Onde pára o dinheiro?
Nas contas de quem protegeu
Do próprio banqueiro

Daniel Costa

domingo, 15 de fevereiro de 2009

poema

BERLENGAS

Berlengas Ihas sem par
Assim é o famoso
Grupo montanhoso
Ali no alto mar
A algumas milhas
De Peniche do outro mundo
Grande cidade piscatória
Também foi ilha de mar sem fundo

Se observados com atenção
Aquando do mar ameno
Depois no de arrepiar
Contemplam-se paisagens
Maravilha, onde
Deus deixou um altar

Berlenga o farol, ruge e silva
Rompe nevoeiros
Nos dias de trevas
Silvos, mais clarão
Orientam marinheiros
Regressando, do mar então

No do Cabo Carvoeiro
Está o velho Santuário
Da Senhora dos Remédios
Desabafam tormentos
Imploram
Deixam agradecimentos

Daniel Costa

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

poema

O RABECÃO DO JOÃO

A é inicial de anão
Aprendi assim
Agora disseram de João
Ninguém repara
Porém o mundo anda louco
Será pelas máscaras do João?
Serão mesmo as máscaras
Do rapaz anão?
Só pode!....
Não serve apenas o rabecão?
Será porque meneirinho?
Usando máscaras todos os dias
Chamam-lhe Joãozinho?
Máscaras louvando
O mafarrico Carnaval
Que Deus não vê mal
Entre a Páscoa e o Natal
Depois ina substituindo noa
João acompanhando-se
Com as cordas do rabecão
Não usará máscara de menina?
Se de tudo é capaz o João
O Pina, a inicial
A
A máscara da petiza, quiçá traquina
Sempre com duas caras
O mentiroso anão
Assim goza toda a noite
Como se fora o A, a profanar
Sempre em festa o S. João
Garoto deve ser
O curioso brincalhão
Na solidão do escuro
Mai-lo o seu rabecão

Daniel Costa

sábado, 7 de fevereiro de 2009

poema

DESILUSÃO ALEGRIA
Amor e paixão
São alegria, não em vão
A ser vividos
Envoltos em solidão
Outro tanto se dará
Com alguma desilusão
O mesmo com desaires
Ou sofrimentos de coração
Tudo interregnos!
Até que chega a alegria
Devemos brandir tal magia
Suscitará invejas
Acompanhada de maldição
Que importa?
Uma dose de loucura
O optimismo sempre presente
A desarmar a má intenção
Portadores de inveja jamais vencerão
Para aprender algo
Virados não estão
Infernizados de invejas
Infelizes morrerão

Daniel Costa

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

poema

MEU OESTE NATAL

Foram vinte anos, os que vivi
Naquela casa construída
Em mil nove trinta e quatro
Mesmo quarto em que nasci
Foi-me me agora designado, por dias,
Adorei!... Dele parti
Rumo ao Bombarral
Visitar, numa escola, um irmão
Desci ao casal do Urmal
Confraternizei com o enciclopédico
Velho amigo António Elias
Recordámos! Não fez mal
Um outro dia!... Peniche
Sempre observando a cidade
A velha ilha de pescadores, por sinal
Cabo Carvoeiro
Mais a Escada de Pilatos
Descendo ao mar, por entre pedraria
Trabalhada pelas marés
Defronta, o rugido do mar afinal
Numa admirável demonstração
Insana do trabalho da natureza
Requer um olhar de admiração,
Sem leveza
E a Nau dos Corvos?
Do mesmo nome ali está
Na ponta do Cabo o restaurante
Encimado do inesquecível mirante!...
Frente à Berlenga
Visão de outro mundo
Imenso Éden, figurino de beleza
Proporciona, a mãe natureza
Sempre pela marginal
Passei pelo Baleal
De novo, o avistar dum mundo
Parecia irreal
A Berlenga de novo, ali à mão
Alguém disse: a ilha parece perto
Temos chuva por certo!
À noite muito trovejou
Seguiu-se uma bátega de água
Não, é realmente profecia
A marcação dos tempos
Mentalmente, funcionando
Na varanda da minha lisboeta casa
Quer seja noite, ou dia.

Daniel Costa