sábado, 28 de março de 2009

poema

AVENAL

Desafiado pelo Toino Tchim
Um amigão, afinal
Bastantes dias, vinha, cavei
Na quinta do Avenal
Montados nas bicicletas
Íamos pelo Toxofal
Ali na padaria
Na do Carlos padeiro
Ainda madrugada
Adquiríamos o casqueiro
Da primeira fornada
Tomávamos o “Mata-bicho”
A manhã despontava
De bom vinho
A velha cornada
Dizia o caseiro:
Quem se negue, não é homem
Não é nada!...
A seguir iniciava-se a jornada
O caseiro estimulava
A cada nova rodada:
Quem se negue não é homem
Não é nada!...
Mais vinho servido na canada,
O copo feito de corno de boi
Passara a alvorada.

Daniel Costa

quinta-feira, 26 de março de 2009

poema

INÊS

Graça pequena
Siso traquina
Menina risonha e serena
Docilidade feminina
É assim uma pequena senhora
Uma grande menina
Com algo de senhora professora
De trabalho, a ala
Que também acha dela Inês
Pode ser escritório, mas jamais sala
Cinco anos e meio, criança
Ainda brinca com o Danicas
Fica a lembrança
De ser bébé não se lembra
Nem de que a sua meninice
Ajudou avô
Parece tolice
Mas este lembra
Ambas e a sua segunda meninice
Duas intervenções cirúrgicas
Sofridas sem pieguice
Da última ainda convalescente
Sem tolice
Tão bem, com equipa médica, conversou
Que foi premiada
Com trajo de Doutô
Que tenhas sempre beleza interior!...
Como tinha o avô do teu materno avô!...

Daniel Costa

PRÉMIO ROXIE

Dando seguimento ao pedido e postagem da amiga Mariazita repasso este prémio aos seguintes bloguitas, por quem tenho consideração.

Indico os seguintes:

Olhos de Mel

Renata Maria Parreira Cordeiro

Sorriso

Esconderijo da Bandys

Val du

Não a deixando de ter consideração por bastantes outros, cujos nomes seria fastidioso enumerar. A selecção recaiu nestes, porque apenas disponho de cinco. Adoptei um critério do foro intímo, nomeadadamente: A primeira, por ter sido a primeira comentadora do meu primivo blogue daniel milagre, a ultima por considerar a benjamim da turma.

Convido estas amigas a fazerem, cada qual, cinco convites. Clicando neste linck, para recolherem o prémio, intoduzi-lo no poste, para repassar, o que não faço porque tecnicamente, ainda não consigo.

domingo, 22 de março de 2009

poema

SELECOR

Luz, sol e cor
Viver com amizade
Foi assim a Selecor
Emílias, foram três
Como se houvesse amor
Idílios talvez
De Emílio senhor
Mais uma aconteceu
Não foi sonho, nem fantasia
Talvez escuro, como breu
Coisas da memória
Ninguém leu
Medito nas coincidências
Estes acasos, vivi-os eu
Vidas de esplendores
Bastantes “acasos”
Devaneios e amores
Tudo feneceu
Uma partida de avião,
A modernidade valeu
Esplendores!...
De tudo aconteceu
Escuras e vãs glórias!...
Dias e noites de breu
Desconhecida partida
Um dia aconteceu!...

Daniel Costa


sexta-feira, 20 de março de 2009

poema

PRINCESA DO TUA

Bela Mirandela
Onde se espraia o Tua
A ribeira de Carvalhais
Passando serena
Nele desagua
É num recanto
Formado pelos dois
Que majestosa em pedestal
A princesa a domina
No seu porte magistral
Parece orgulhar-se de que a apelidem
De Princesa do Tua
Entre serras Mirandela
Como és serena e bela!
Bastaria as águas límpidas
Do teu Tua
O Rio a formar-se
Nos não longínquos
Rabaçal e Tuela
Que se juntam a formar
O sereno lençol de água
Que o Tua apresenta a Mirandela
A Princesa contempla
Benditos os olhos
Que miram o conjunto
Embevecidos olham outros adereços
A velha ponte romana
Mais os seus nichos
A formar a velha entrada
Mais o repuxo
Sonhadora Mirandela
Com o lendário Tua
Tens tudo para seres tela
Serena e assaz bela.

Daniel Costa

quarta-feira, 18 de março de 2009

poema

DIA DE S. CIRILO

Nem isto nem aquilo
Dezoito de Março
É dia de S. Cirilo
Dois mil e nove
Quarenta, anos depois
Antes de dezanove
Recordo sempre bem
Tornei-me menos pobre
Veio um mundo, uma Maria
Que grande dia, que grande luta!
A cântaros chovia
Pela primeira vez
Foi na revista Plateia
Popular como aquela não havia
Não saiu uma, mas
Duas vezes a minha fotografia
Ainda que em isenção de horários
Talvez por isso
Até em trabalho foi grande o dia
A chuva, em bátegas continuava
Surgiam parabéns
Para voltar ver a mãe e o rebento
Lutava e porfiava
Meus deuses!...
Era aquilo, era aquilo
Era dezoito de Março
Mil nove sessenta e nove
Dia de S. Cirilo

Daniel Costa

sábado, 14 de março de 2009

poema

LUA DE MEL

De mesinhas redondinhas
Pequenininhas
Que frequentava eu
O Café Paraíso
Da Lisboa antiga
Que feneceu
O último da Capital
Penso eu
Lua de Mel*
Outro do meu Céu
Ali alguns dias estudei
Amigos conheci
Com eles convivi
Ali algo da revista Franquia
Elaborei
Prosas e poesias
Fiz, faço, penso e pensei
Está em Benfica
Onde havia as grandes
Festas da Mata
Onde aos Domingos
Se juntava a Nata
Fica na privilegiada
Avenida Grão Vasco
Vai dar à célebre Mata
Cujo Patrono
É o nome do Pintor
Silva Porto
Que tem ali estátua
Como grande Senhor
Foi ali que mesmo hoje
O amigo Gabriel de Sousa
Levou e foi oferecedor
O seu livro de Contos
“Espelhos Imaginários”
Fê-lo como encantador autor
*Pastelaria (será o correspondente a lanchonete no Brasil) Lua de Mel

Lisboa, 11 de Novembro de 2009

Daniel Costa


Um dos blogues pessoais de Gabriel de Sousa
: www.topatudo.blogspot.com

A Usina de Letras, de Brasília editou.

PERFIL DO AUTOR:
Na badanas da capa e contracapa do livro:
Nascido em 1938, encetou a sua vida profissional aos 15 anos, frequentando simultaneamente, à noite, um Curso Comercial. Cedo se afirmou no entanto como autodidacta, aprendendo sobretudo com a sua vivência e tirando partido do seu imenso gosto pela leitura.

Intensa vida associativa e cultural, sobretudo nos anos 70. Director do Ateneu Comercial de Lisboa, durante vários anos, coube-lhe o pelouro Cultural e a Chefia da Redacção do Jornal da instituição.
A partir dos anos 90, em virtude das suas obrigações profissionais, cessou praticamente a sua actividade cultural e literária, que só veio a retomar quando a passagem à situação de reforma em Dezembro de 2000. Condecorado pele Governo Francês com a Medalha de Honra do Trabalho "Grand Or".

Usina de Letras:
www.usinadeletras.com.br

DC

terça-feira, 10 de março de 2009

poema

IMENSO BRASIL

Para avistar o Cruzeiro do Sul
Viajo para lá do Oceano azul
Salto à Praia de Copacabana
Em sonho, vou até à de S. Vicente
Quilómetros além da cidade Paulista
Onde aportou, primeiro Álvares Cabral
O marinheiro, o grande Senhor
Aí começou Vera Cruz
Como o Tozzini escrevia
Radialista, mas não Doutor
Ali teria sido rezada a primeira missa
Mais tarde a exótica madeira
Inspirou o actual nome, outra bandeira
De muitos amigos, vinha a informação
Era tudo, como um enlevo, uma canção

Recortes de jornais, que arquivei, com emoção
Que será feito desses amigos do coração
Os que recebiam e falavam da Franquia
A D. Edna, o Alex Picanso, o Centeno
O Catta Preta, o Barbedo
O Lauro Natali, o Barros
E vários outros, que o Américo Tozzini
Era como se fosse avô, não ficava quedo
Bastantes recortes de jornais
Nos meus arquivos e anais
“Os Cinco Minutos com a Filatelia”
No programa “Pulo do Gato”
Da Rádio Bandeirantes,
Lá estava a inesquecível Franquia
Era o grande Tozzini que fazia
Que será feito desses amigos de um dia?

Daniel Costa

domingo, 8 de março de 2009

poema

ALINE

Mulher morena
Amar-te fui sublime
Foi amor de um dia
Amor verdadeiro
Será como dizem
Não há como o primeiro
Se não acredito
Aquele amor de mulher
Será sempre bendito
Era o despontar dum amor de mulher

XXX

Um dia roubei-te um beijo
Foi uma loucura
Forte desejo
Não gostaste
Por certo não correspondias
Porque logo retiraste

XXX

Mas olha Aline
O meu amor de mulher
Continua intacto e sublime
Continuas a mulher
Que um dia pronunciaste sim
Exultei, o amor
Ficou mais sublime
O amor de mulher
Não de um sentimento qualquer
Vivia o verdadeiro amor
O amor que deveria de ser um dia
O da minha mulher

Daniel Costa


sexta-feira, 6 de março de 2009

poema

DAR A VIDA

Realçando uma dedicação
Há quem diga dar a vida
Dar a vida por uma questão
É uma imagem
Tem havido quem dela
Se desfaça por desilusão
Seria a última coisa a ocorrer
A quem raciocine
Bem de antemão
Atentar contra a vida
Não será espírito são
Porém a imagem
Não será em vão
Talvez por humanidade
Por uma dedicação
Alguém ter passado para lá
A mesma dedicação
Acabou por trazer para cá
Ultrapassando a cancela
Depois o portão
Aventura, mesmo odisseia
De alguém que amando o mundo
Quiçá por isso, soube dizer não
Dá gozo a beleza do mundo
Onde reina putrefacta
Também grande podridão
Gostar de viver
Não será ilusão
Ao que não gostamos
De direito e dever diz-se
Não!...

Daniel Costa




terça-feira, 3 de março de 2009

poema

RECORDAÇÃO

Vou contar um segredo
Sentia frémito, suave vibração
Quando fui guardador de patos
Com a manada ia para o Val Medo
Ninhadas do tipo marrecos *
A mãe sempre criava
Em procura no ciclo da carôcha **
Do guardador porfiava
Na imensidão do campo
Guardar agradava
O mar em frente
No princípio do Verão
Os patos deglutiam o molusco
Com sofreguidão
O pastor olhava patos e vastidão
Podia entregar-se às nostalgias
Muito comuns então
Sonhava com outro mundo
O eterno desconhecido
Seria melhor de antemão
Aquele não o sentia cruel, não
Seria como um universo de papel
Ali andavam os patos
Não se cansavam
Sempre direitinhos
Engordavam como calmos gaiatos
Pareciam gostar da gamela
Muito juntinhos
Não precisavam de trela
Até que valiam dez paus
Comprava-os o regateiro ***
O que, na sua carroça
Aparecia primeiro
O guardador ainda criança
Saberia ser feliz…
Agora, talvez um bom petiz!...


Daniel Costa

NOTAS:
* Raça de patos comuns
** Chama-se assim à caracoleta no concelho de Peniche
*** Corresponderia ao almocreve