segunda-feira, 30 de agosto de 2010

POEMA MEDO DE AMAR


MEDO DE AMAR

Quando um olhar doce de mulher
Me fixa com afinco, algo sinto
Um anjo, uma flor de malmequer
Porém, pode haver receio de avançar
Espera-se o enleio de quem nos quer
A mulher para mim prefigura uma flor
É assim que vejo florir a ternura
Da ternura resultará o amor
Um grande amor o coração encanta
Desse encantamento virá ardor
Não se deve ter medo de amar
Ter esse devaneio sem receio
No amor solta-se a liberdade
Ele, o amor, é divino
Que haja sempre intimidade
Deleitemo-nos
Com o amor de lealdade
Encha-se o espírito de sofreguidão
Enfim, se peque sem maldade
O que foi pecado, sendo recatado
Passou a um acto de humanidade

Daniel Costa

NOTA: VER "ENCONTROS LUSO-BRASILEIROS DE POESIA", ONDE ESTÁ O SONETO DE MARIA DO SOCORRO, POETISA NORDESTINA. COM QUE ACORDEI ESCREVER POEMAS A DUO.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

POEMA ENCONTRO


ENCONTRO

No Brasil navego e leio
A cultura do sul, lá pelo sertão
Fascina-me em cheio
Queria conhecê-la então
Sentir o linguajar, transformado em dialecto creio
Deambular, conhecer a diferente formosura
Das flores que vislumbro
Dessas mulheres diferente que apresentam ternura
E os deuses disseram-me, não sendo ruim
Proporcionara-me a aventura
Ao invés de me tornarvam anjo, antes querubim
Imaginei um balão para sobrevoar toda a região
Esse mundo do hemisfério sul sem fim
Para lá embarquei e voei então
Fiado nos deuses, enfim
Marquei um encontro com uma senhora de antemão
Em terras do departamento do Piaui, por ser grato para mim
Visto haver poesia e se situa à beira-mar
Podia passar pela costa inversa
Um mundo que adorava espreitar
Cidades como Natal, João Pessoa, São Salvador
Antes pelo Maranhão situando-se na inversa com mar a amar
Tocatins, Ceará, Pernambuco e Bahia
Muita extensão de céu para voar
O encontro deu-se com uma poetisa bonita
Numa cidade desconhecida
De seu nome Marcolândia, quem acredita?
Dialogámos sobre poesia, sobre cultura
Aquela cidade, foi ponto
Tomei mais conhecimentos culturais
Como previ, fiquei feliz pelo encontro
Fico agradecido aos deuses
Que me proporcionaram um gostoso sonho de pronto

Daniel Costa
GOSTARIA DE CHAMAR A ATENÇÃO, QUE O PRESENTE POEMA TAMBÉM ESTÁ POSTADO NO MEU NOVO NOVO BLOG, "ENCONTROS LUSO-BRASILEIROS DE POESIA", COM UM DA POETISA NORDESTINA, MARIA DO SOCORRO, QUE ME CONVIDOU A ESCREVERMOS EM DUETO. 

DESEJO QUE OS MEUS POEMAS PASSEM AQUI SEM MISTURAS. ACEITEI GOSTOSAMENTE, MAS CRIEI UM ESPAÇO ESPECIAL.
O CONVITE FICA SEMPRE VÁLIDO A UMA PASSAGEM, VALERÁ A PENA.
D.C.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

POEMA MILHÕES DE ESTRELAS


MILHÕES DE ESTRELAS

Podemos ver no céu
Milhões de estrelas
Brilhantes como se fossem seu véu
Reluzentes, tornando o infinito
Misterioso e atraente
Horizonte visual bonito
Podemos olhá-lo talvez sensual
Porque não podemos tocar-lhe
Vemo-lo como um mundo irreal
Como uma infinita esfera
Aqui na terra onde não há amor há mal
O mais belo que nos espera
É lutar por um amor real
Construindo um mundo de amor
Sempre olhando o céu
Olhando a beleza
Das estrelas que forma o seu véu
Tudo é beleza o que tem a natureza
Temos apenas de usar os olhos
Para ver e amar toda a riqueza
Que o mundo tem
Sem sombra de tibieza
Olhemos todas as obras do mundo
Que os pintores, os escultores, os arquitectos
Construtores o tornaram profundo
Tudo nasceu do amor
O céu, as estrelas, todo o mundo no fundo
Amemos sempre
Sem perder um segundo
Daremos um exemplo
Um exemplo muito profundo

Daniel Costa

domingo, 22 de agosto de 2010

POEMA JUNTO À PRAIA


JUNTO À PRAIA

Naquela noite de luar
Ela e eu sentados na arriba
Junto ao mar
Onde se vislumbrava a praia
Se escutava o marulhar
Um bonito panorama
Visto à luz daquele lindo luar
Ela muito juntinho a mim
Toda sedução convidava a amar
Seu vestido de ocasião
Era como se representasse
Miríades de estrelas, uma tentação
Infinitamente bonita
Vestido leve mais a sedução
À noite com a magia da lua
Difícil seria resistir à tentação
A observação continuou
Sempre o enlevo
Foi como um laço que nos prendeu e enleou
Com o luar e o doce marulhar
A intimidade nos arrebatou
O amor, a sedução e o enlevo
Para pecar nos arrebatou

Daniel Costa

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

POEMA O MEU JARDIM


O MEU JARDIM

Como jardineiro
Construí e semeei o meu jardim
Tem bonitas flores o ano inteiro
Procurei e encontrei sementes afim
Para todas as belas flores
Regadas ainda com o orvalho
Florescem como amores
Plantei a mais bela flor
Fazendo jus ao afã de Jardineiro
Como previa, estava ali o verdadeiro amor
Num belo horto, num canteiro
A mais bela flor
Como se fosse o mundo inteiro
Olhava-me com ar sedutor
A felicidade está no meu jardim
Que cultivo com determinação e ardor
Para ver todos os dias o raiar da aurora
Todos os dias, olhar o amor
Sempre a doçura
Sempre um olhar belo e sedutor
Sentir que se é amado
Rega-se para que as flores fiquem frescas
Num ambiente como que orvalhado
A ficar sempre a sensação
Que com fervor denodado
Cultivando o jardim com amor
É sentir a certeza que se é amado

Daniel Costa

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

POEMA ALQUIMIA


ALQUIMIA

Em tempos alquimistas havia
Tinham secretos laboratórios
Onde faziam experiências com a alquimia
Derretiam metais pobres sem desdouro
Procuravam produzir riquezas
Nem mais, procuravam transformá-los em ouro
Nem pensavam encontrar outras belezas
Encontrar outro tesouro
Porque não a alquimia do amor?
Em qualquer jardim pode ser encontrado
Como de fora uma bonita flor
Podemos ficar com grande riqueza
Tudo se constrói com grande ardor
O mundo muito avança
Quando este tem a pujança um grande amor
Evocado pela humana lembrança
A ficar sempre a felicidade
Aflorando e a obra do homem avança
Avança forte, como a amenizar os tempos
Está ali presente a alma do amor
Que incentiva talentos
Sempre incentivou e sorriu
Em todos os momentos
O amor foi uma doce alquimia
Que talvez sem o pensar
Reparava, amava, secundava e sorria
Afinal era ali que estava o amor
Era ele que signifacava o laboratório de alquimia

Daniel Costa

domingo, 15 de agosto de 2010

POEMA O BURACO


O BURACO

Em meados do século passado
À luz de candeeiros de petróleo
Havia estudado
O País real havia de ter início
A ser electrificado
Os trabalhos andavam de aldeia em aldeia
Chegaram a minha natal sem terem falhado
Não lembro como aconteceu
Aos dezasseis anos trabalhadores contratados
Foi apenas o meu mano e eu
Para o tempo foi um modernismo que vivi
Com a vantagem que apenas oito horas trabalhava
Habituado à dureza do trabalho agrícola
Voltava a juntar-me aos companheiros logo que jantava
Não eram trabalhadores eventuais
Estavam deslocados sós e promoviam
Em conjunto os seus divertimentos normais
Participava com espectador
Aprendia com os rituais
O Afonso pegava na viola
Dedilhava os seus sons usuais
Risonho, afinava bem as cantigas como as de grafonola
Inevitável a seguinte que ficou nos meus anais:
“Foi como a amor de uma hora
Maria Clara é um amor da rapariga
Mas foi amor que passou
Cigarro que se fumou e a ponta se deitou fora”
E este diálogo muito ouvido entre dois manos?
“És tão bom e ganhas tão pouco”
Um dia havia feriado municipal
Na cidade de Caldas da Rainha
Onde era sedeada a S.E.O.L, a empresa real
A outra equipa composta por mim e mano
Não tinha direito, era eventual
Foi-nos destinado abrir buracos para as sapatas dos altos postes
Com tão pouca sorte
Havíamos de iniciar num grande buraco
Perdera-se mesmo a sensatez e o norte
Quase à superfície passava um veio de pedra
Tão dura que mesmo, com picaretas foi a alegria e a sorte
Dialogámos, só o tempo nos evitaria a queda
Ao outro dia tudo bem, apenas sentimos desdém
Mas continuavam a pedra
Dos regressados companheiros desdenhavam sempre além
Explicações não foram pedidas
Não preocuparam ninguém
Mas eis que foram eles tomar medidas
E o factor tempo trouxe-os à razão
Afinal o buraco
Era mesmo um enorme buracão

Daniel Costa

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

POEMA A PINTORA




A PINTORA

Terá futuro de grande pintora
A mulher que a princípio julguei miúda
Entretanto é uma simples e grande senhora
Sempre se mostrou serena
De uma serenidade enternecedora
O gosto por recolher pormenores de plantas
A terá levado a criar o seu atelier de pintora
Terá sido a sua paixão pelo mundo
Que seduz a observação da autora?
Falo da Valenita, a Val Du
A dita miúda de outrora
Como pintora é Lita
Nome simples e bonito adoptado agora
Torna maravilhoso
O nome de guerra da pintora
É pelo Atelier de pintura da Lita que podemos
Passar sempre e agora
Depois pontua, naturalmente
Com colagens, onde se detém noutra hora
Apresenta-a nos seus Recortes
No seu painel mostra
Onde se pode ver como simplifica os seus dotes
A pintura a aparentar muito simples
Nota-se contudo a natureza e seus portes
Será inspirada nela que serenamente
Executa a sua pintura
Já a tendo amadurecido na mente
E ali está o Atelier da Lita
Onde floresce moderna pintura a dar semente

Daniel Costa


Atelier de pintura da Lita: http://atelierdalita.blogspot.com/

Recortes… http://recorteseimagens.blogspot.com/

terça-feira, 10 de agosto de 2010

POEMA HUMILDADE


HUMILDADE

Neste mundo de traição e falsidade
Opondo-se à imprópria arrogância
Poderemos sempre contar com a humildade
Lembremos S. Francisco de Assis
Também Gandhi que com humildade lutou pela liberdade
O Santo de Assis deixou as paternas riquezas
Para se dedicar aos humildes e à humanidade
Como disse o grande poeta Camões
A história os libertou da morte, são exemplos de verdade
Sendo uma das virtudes que devemos prezar
Palavras que mostram bondade
Encerrarão todas as virtudes
Temos assim que também a humildade
Que a cristandade nos legou
Cada vez mais falta a temperança
Dando lugar a muitos vícios que a humanidade criou
Entre os quais a sensaborona arrogância
O mundo vem apresentando-se vil e cruel
Onde está a temperança e a paciência?
Onde devia haver amor e esperança há sabor a fel
Temos um mundo parecido com o inferno
Humildes e considerados pensadores
Escreveram palavras adequadas a este tempo moderno
Vamos todos lutar para que o mundo seja de amores?
Argumentemos com a prática de virtudes
Senhoras e senhores

Daniel Costa

sábado, 7 de agosto de 2010

POEMA FORMALIDADE TEOLÓGICA


FORMALIDADE TEOLÓGICA

Este mundo é regido por formalidades
Muitas leis e convenções
Para que se torne dia a dia com mais serenidades
Foi Jesus Cristo que vindo e este mundo
Cheio de vícios e maldades
Terá pregado e espalhado normas
Que pressuporiam santidades
O mundanismo, nunca deixou de usar nefastas formas
Apesar dos “andarilhos” anunciadores da boa nova
Dos muitos ascetas e dos muitos ermitões
Na sociedade, os humildes, ficaram sempre à prova
Passavam décadas no nosso planeta, as maldades eram aos milhões
Idade das trevas, dos tempos que deveriam ser modernos
Veio o poeta épico Prudêncio e escreveu como sermões
Alertou para as ervas daninhas a atear as fogueiras dos Infernos
Para assinalar os pecados letais
Evocou os novos conceitos teológicos
Sete virtudes, sete normas que para sempre ficaram legais
Castidade, generosidade, temperança, diligência
Paciência, caridade, e humildade que são sempre actuais
Por mim é a humildade que privilegio como uma ciência
Que só por si denuncia e se opõe
À luxúria, à avareza, à gula, a ser combatida com abstinência
À preguiça, à ira, à inveja e à soberba
Mas este nosso mundo louco falta-lhe a virtude da paciência
Depois ainda há as duas virtudes, ditas cardinais
Esperança e caridade, ambas são referência
Num labirinto de humanas leis estas são mais simples e reais
Que na catequese da Santa Madre Igreja
De pequenos nos ensinam
Como a constituírem conduta benfazeja

Daniel Costa

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

POEMA ENCONTROS


ENCONTROS

Vida é feita de encontros
Uns válidos e profícuos até mais não
Outros podem ser tidos como desencontros
Por vezes sabe-se de imediato os possíveis danos
Outros passarão subtis
Vão desnudando-se ao longo de anos
Desses não falemos
Vamos esquecer enganos
Embora sejam dolorosos para a alma
Configuram desenganos
Sejamos optimistas
Há encontros de toda a ordem
Muitas pistas
Encontros para troca impressões
De permutas de dados, até sobre hóbis
De cultura em todas as direcções
Várias outras
Verdadeiras tertúlias e reuniões
Nas mais altas esferas
Podem ser propositadas para despistar espiões
Pode haver encontros com amigos
E amigas em várias ocasiões
Por vezes se definem contratos
Outros apenas conversas amena
Agradáveis tratos
Podem passar a ser verbena
Não há enganos, mas afinidades
Os encontros devem ser sanos
Novos, menos novos
Afinal somos todos humanos

Daniel Costa

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POEMA MEUS VELHOS AMIGOS


MEUS VELHOS AMIGOS

Deverei ter inimigos
Porém quem recordo
São os meus velhos amigos
Lembro todos sem excepção
No entanto, gostaria evocar
Os que não chegaram a ter união
União com a modernidade
De aprender a ser novos com paixão
Saberiam que nunca se é velho
Aprende-se a ser novo de mente e coração
Quando a idade aponta os setenta
Deve sentir-se uma vida de aventura e emoção
Bastantes anos poderão ter-se lutado
Lutado com denodo e paixão
Mas os amigos que nos deixaram
Sua alma nos deve merecer veneração
Afinal sente-se que foram amigos
Mas já não sentem esta sensação
De aprender a ser novos
Viver esta nova palpitação
Do amanhã ter deixado de ser futuro
Explico então
Deixou de poder ser dado tudo como certo
O mundo está globalizado
O que hoje está perto, amanhã pode ser deserto
Quando se está prestes a chegar aos setenta anos
Sabemos que se viveu de luta
Não de enganos
Agora aprendemos com os mais novos
Modernos planos
Estes podem aprender connosco a ser
Dia a dia mais humanos
Que não poderão nem deverão viver
De miragens num deserto de enganos

Daniel Costa