sexta-feira, 29 de abril de 2011

POEMA O ENFORCADO


O ENFORCADO

Vou contar um segredo danado
A cores e ao “vivo”, há coisas que se detém
Precisamente há cerca de sessenta anos vi um enforcado
Tratava-se do Elias que tanto o apregoara
Que já ninguém acreditava no desgramado!
Um dia aconteceu, Deus meu!...
A notícia correu célere, entre o rapazio
O Elias não podia ter ganho o Céu
Por vontade própria estava dependurado
Pendia do barrote do seu palheiro ao léu
Depressa, no intervalo das aulas
O rapazio, na sua inocência para ali correu
O Elias ali dependurado
Era no último dos anos quarenta
Ainda não chegara a autoridade para o dar como acabado
Ali só, baloiçava como pendente do céu
Sem ao menos o corpo ser guardado
Por algum agente da autoridade
Era naquele tempo danado!
E o Elias, já idoso, toda a vida dissera
Que poria termo à vida, por ele próprio seria mal amado?
Ditara tanto essas palavras que já todos achavam quimera
Um dia, como o dizia, apareceu suicidado
Se lermos e acompanharmos os signos desta era
Por vezes aparece-nos: “regido pelo enforcado”!
Andava na escola
Nunca esqueci o Elias, o danado

Daniel Costa


terça-feira, 26 de abril de 2011

POEMA DONA MICAS


DONA MICAS

Na aldeia do Oeste
Num dia invernoso, agreste
Nuvens negras no céu
Tudo escuro como breu
O farol da Berlenga
E do Cabo Carvoeiro
A deitarem urros no éter
Alertando o marinheiro
Dirigindo-se mais ao timoneiro
Na costa a sul do Carvoeiro
Avistam-se ondas muito altas, medonhas
Ululam ao desfazerem-se na rocha
Fazendo estrondo como que a bater o pé
Pareciam dirigir-se a humanos sem fé
Dona Micas segue rua acima
Como que a visar os quatro moinhos
Cada vez mais a eles se arrima
Segue com o seu manto negro
Qual bruxa maldita, a meter medo
No cordame das velas dos moinhos
Assobiam búzios tristonhos
A bruxa, qual fantasma negro maldito
Vai distribuindo conselhos
Dizendo: é prenúncio do finito!
Ninguém acreditava na dita
Porque teriam esperança
Num Deus de justiça bendita

Daniel Costa

sábado, 23 de abril de 2011

POEMA CELINA DA RIVERA



                               

CELINA DA RIVERA

Se indagar por Santana do Livramento
A cosmopolita cidade fronteiriça do Brasil
É o mesmo que perguntar pela paz em monumento
Pela paz que reina também na fronteiriça Rivera
Do conjunto, podíamos dizer humano talento
Cidade junto do Uruguay, entre as duas reina a paz
Como se não fizessem parte de países rivais
Em dias que se juntam em sérios futebóis
Disputas em jogos de futebol nacionais
É deambulando pelas calçadas de ambas as cidades
Que podemos encontrar Maria Celina
Mulher, diria sedutora sem vaidades
Apenas mulher feliz com os filhos e eles com os pais
Com a sua vocação de dedilhar, de que é eximia artista
É o piano onde faz maratonas e mais
No seu acordeão, na sua guitarra
A performance prepara muito em casa
Depois como artista que é, adora a farra
Adora jantar fora, como um ritual da noite
Da cidade da outra fronteira onde se sente galharda
Olha o monumento à paz
Como passeia no Uruguay, na Rivera
No Brasil, em Santana do Livramento o faz
Maria Celina, pode ser encontrada
Naturalmente, com amigos e familiares
Passa uma grande artista, do “métier” uma fada
Uma mulher, uma amiga encantadora
Uma grande e interessante mulher
Não para ser fascinante nem arreliadora
De certo para exibir o natural encanto
Maria Celina sabe ser mulher sedutora
Adora-se a Maria Celina Freitas Morais
O nome parece muito português
Terão nascido em Portugal seus ancestrais?

Daniel Costa


quinta-feira, 21 de abril de 2011

POEMA AQUELA MULHER!



AQUELA MULHER!

Não vive na solidão
Ama, deseja e quer
É amada com pura paixão
Tem bastantes e interessantes amigas
Também amigos, então!
Nada como um grande amor
De ocasião não são
Assim para ela a vida tem mais sabor
Não querendo parecer, embora
É como se tornasse divina
Mulher sedutora
Aquela mulher!
Não sendo já menina
Sabe andar na vida como quer
Terá bastante experiência
Aquela mulher!
Trás um coração preso ao seu país

Do homem que a ama e muito lhe quer
A sua jovialidade
Só por si não será determinante
Mas sua dose de sensualidade
O seu carácter
Aquele carácter de humanidade
O manto de pureza
Sem sombra de maldade
Fazem sonhar viver
Viver na mesma cidade
Aquela mulher!...

Daniel Costa

terça-feira, 19 de abril de 2011

POEMA AMAR O MUNDO E ALGUÉM


AMAR O MUNDO E ALGUÉM

Amar alguém e o mundo
Com determinação e comoção
Com amor profundo
Este de cor rosa se inunda
É obrigação de qualquer cidadão
O calor humano se funda
Despidos de ambições
Devíamos olhar o mundo
Sem devaneios ou condições
Amar alguém
Com evitáveis leviandades
Amor… amar mais além
Amor de gosto
Onde se vislumbre ternura
Com observação do posto
Amar não será loucura
Amar o mundo amar alguém
Construir um mundo de ventura
Loucuras evitadas e teremos um bem

Daniel Costa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

POEMA MALDADE


MALDADE

“Quem mal não usa
Mal não cuida”
Ninguém ganha com a maldade
Diz o povo com enorme razão
Essa falta de sanidade
Desta sociedade desumana
É Risível a maldade
Havendo optimismo
Enquanto o flagelo atravessa a sociedade
Aprende-se também com o negativismo
A cada passo a maldade mais se avilta
Se, ela existe fora o pessimismo
Onde acontece maldade
Fica a sensação
Sempre de vez
Alguém não está sendo são
Aprende-se fica o favor
Fixa-se a lição
Assobia-se prazenteiro
Diz-se não sou eu não
Como se descesse a rua
Depois do serão
Na sonhadora madrugada
Procurando um bem
Afinal arredio
A andar e pensar muito mais além
De cabeça erguida
Feliz de quem a honestidade detém
É belo viver sem sombra de maldade
Poder sempre dizer Amem

Daniel Costa


terça-feira, 12 de abril de 2011

POEMA VIDAS


POEMA VIDAS

Embora seja dolo
Pior que nós, há sempre há alguém
Porém não se é tolo
É estímulo para esta nova encarnação
Não serve de consolo
Na primeira vivi sem consternação
Sigo na segunda
Vivo-a com a mesma emoção
Não a conheci imunda
Vivo talvez com mais amor e devoção
Apenas soube de escolhos
Vim a saber que houve permanente oração
Na transição passei incólume
Tal como na primeira
Veio novo mundo de sonhos
Procurarei a verdade inteira
Muitos outros sonhos risonhos
Outra maneira
A minha glória é esta
A hipertensão verdadeira
Sempre os sorrisos
Como se fossem bebedeira
Com o mesmo optimismo
Sorrirei e lutarei à minha maneira
Na procura da verdade
A vida inteira

Daniel Costa


sábado, 9 de abril de 2011

POEMA UTOPIA

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POEMA UTOPIA

Sonhei um dia
Acordei de avesso
Na minha mente apenas existia
Um mundo irreal
Dominava a utopia
Vivia num mundo surreal
De quimera, de fantasia
Fugir a este onde reina o mal
Um planeta onde se encontre outra via
Do amor de novo sinal
Nova sinergia
Outro mundo para se poder viver e amar
Num império onde seja banida a utopia
Um mundo novo
Onde se possa dar largas à fantasia
À fantasia de amar
Todo o mundo a colher a flor da alegria
Onde se possa ter armas para lutar
Com o fim de escolher
Um Éden nesse lugar
Excluir más intenções
Que apenas intentam amesquinhar
Como de fossem répteis anões
A emergir do nada para subjugar
Lutemos por um mundo de magia
Onde o amor se possa dourar
Que se acabe a utopia
Venham os deuses o mundo sufragar
Tamanha utopia
Que se está a implantar

Daniel Costa


quarta-feira, 6 de abril de 2011

POEMA NOSTALGIA


NOSTALGIA
Doce recordar, Será magia?
Será a doce nostalgia?
Será a doce lembrança?
Do amor de algum dia
Do amor que não esqueceu
Um amor que não morreu
Gravado sempre ficou
Jamais deixar de recordar
Essa ternura de amar
Recordar esse farol
Como marinheiro do alto mar
Deuses!... Como consola amar
Ternura que se estendeu
Esse alto mar não perdeu
A ternura, a nostalgia, a esperança
Sempre o acto de muito amar
Pensamento a navegar
A nostalgia nunca vai minar
A grande ternura de amar
Esperança e nostalgia,
Podem encerrar magia
O tranquilo acto de amar
De alguém que está a regressar
De novo o alto mar
Por perto seria mais fácil amar
E... de novo a doce nostalgia
De ter amado alguém um dia

Daniel Costa

segunda-feira, 4 de abril de 2011

POEMA NUNCA TIVE TEMPO


NÃO TIVE TEMPO

Apenas para amar
De ganhar dinheiro por exemplo
Foi chegando o vagar
Arrecadar dinheiro não tive tempo
Tenho a noção que a trabalhar muito vivo
Fui cavador em tempo
Muitas coisas que na vida fiz!
Modesto vinhateiro
De petiz
Criado de servir na lavoura
Criador hortelão
Não acreditam?
A horta foi paixão
Em trabalhos concerto de estrada
Trabalhei um verão
Antes tinha guardado patos
Depois a civil construção
Terminei em ceifeiro
Antes conduzi burros e bois
Passei por padeiro
Guerrilheiro depois
A seguir balconista
Empregado de escritório
Onde terei sido artista
Escriturário
Editor, sem ser fadista
De arrecadar dinheiro não tive tempo
Estive como director jornalista
A tudo dediquei amor
Jornalista Free-Lancer
Irei acabar poeta e de prosa escritor
Ganhar dinheiro por exemplo, não deu tempo
Que terei feito dos trabalhos da vida?
Terei vagueado em passatempo?
Se não foi assim
Arrecadar dinheiro nunca houve jeito nem tempo

Daniel Costa


sexta-feira, 1 de abril de 2011

POEMA VULTOS DA CIDADE


VULTOS DA CIDADE

Amo a cidade
Sempre amei os seus vultos
Amei-os desde tenra idade
Apenas ouvia falar deles
Antes da puberdade
Sem nunca ter observado
Sem nunca ter conhecido o fervilhar da cidade
Sonhava viver e conhecer
Um ambiente mais profundo
Outro sentir
Ter maior ideia da grandeza do mundo
Sonhava conhecer os vultos da cidade
A maior vim a conhecer e nela viver então
Já de mais madura idade
Se me deslumbrou a grandeza?
A dos meus ídolos
A das lindas mulheres, essa singeleza
Esses platónicos amores
Essa natureza
São como flores
Que formam um jardim encantado
Que dão dimensão à vida
Num mundo amado
São essas mulheres, essas musas
Que se enfeitam para não terem idade
Que se bamboleiam sensuais
Os verdadeiros vultos da cidade
Amo viver
Amo o mundo nos vultos de cidade

Daniel Costa