quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

POEMA FESTA DA MÚSICA




Vocalista da Orquestra Feminina D'Cache
Colombiana
FESTA DA MÚSICA

Como a brilhante flor da giesta
Vivamos a festa da música
Façamos da própria vida uma festa
Vida de sonhos e emoção
Como se seguíssemos em caminhos ladeados por esta
Em pensamentos de bucolismo e comoção
Viver em permanente alegria
Como a recitar um poema, uma oração
Festa da música
Alegria de viver, ter apaixonado o coração
Seja a música da vida
Sentida com devoção
Festa da música
Alegrando sempre a doce paixão
Ainda que vivendo com amor de bucolismo
Temos à mão a festa da música
Nunca nos deixemos cair no abismo
Viver a delícia de estarmos sempre felizes
Sentir o bucolismo sem lirismo
Neste mundo vogaremos, evitando deslizes
Festa da música
Festa da música de muitos matizes
Violas, pianos, saxofones
De bucolismo: flautas, assobios pastoris!
Podemos imaginar de tudo, lembremos xilofones
Música romântica, ou de gestos febris
Como o Rok, o jazz
Música urbana, “countris”
Música, sempre festa
Tudo vida reluzente e colorida
Como a florida giesta

Daniel Costa

domingo, 22 de janeiro de 2012

POEMA QUEBRA DE UM TABU


QUEBRA DE UM TABU

Era o tempo da cultura de baú
No tempo dos sonhos de namoricos
Quebrei um tabu
De tanto me querer embelezar
Não queria parecer cru
Ali fui o primeiro, a cabeça destapar
Na grande aldeia natal
Aos Domingos boné deixei de usar
Boné ou boina à espanhola
Deixar de usar a vestimenta, menos iria custar
Foi na Bufarda, Peniche cidade
Talvez charme, para de mim se gostar
Se passara eu a gostar mais de mim!
Que mulher iria indiferente ficar?
Não iria gostar melhor assim?
Aos Domingos na revoada viajar
Por aldeias distantes, até encontrar um fim
Para a cabeça empinar
Onde já pouco se apreciasse o que para mim foi tabu
Onde já se vislumbrasse
Cultura que não fosse de baú
Desejava que a mim chegasse
Para não ficar meio cru
Ao Domingo contra ventos e marés
Próximo do mar
Desejava ter o mundo mais a meus pés
Num mundo mais bonito apostar
Sem coberturas ou bonés
Era mister desenvolver a cultura de baú
Um novo mundo começar absorver
Acabando, como principio, com aquele tabu

Daniel Costa



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

POEMA NA MADRUGADA ACONTECEU


NA MADRUGADA ACONTECEU

Mil e novecentos e cinquenta e sete, ao Júlio e eu
Em vinte dois de Janeiro, propriamente dito
Na madrugada aconteceu
Bicicletas emprestadas, a que montava do Alípio
Em Miragaia trabalhávamos, Deus meu
Ali trabalhávamos, nos alimentávamos e dormíamos
Para mim, para a minha tenra idade, era a liberdade do céu
A dez quilómetros, na aldeia de nascimento
Havia a festa a Santo Antão
Numa freguesia, alheia ao invento
Estamos a trabalhar na Lourinhã vinhateira
Para nos deslocarmos só na noite, o que exigia talento
Ao Domingo, de dia íamos a pé, a corta mato
Encurtava-se um quilómetro e havia alento
Mas de noite quem poderia assim ausentar-se
Ausentar-se por horas? Só almas ao vento
Pensado, dito e feito
Feito com bicicletas emprestadas, processo lento
Simpatias, o melhor penhor
Foi como nos saísse o brinde no bolo, ao Júlio e eu
Fomos à festa profana de Santo Antão – Senhor
Advogado dos porcos, Deus meu
No arraial da festa, o Júlio, mais dedicado ao deus Baco
Ali nas tasquinhas confraternizou, como ateu
Ali estava, o eu, no arraial, fazendo olhinhos à pretendida
Com a pouca sorte, de adolescente, que um anjo me deu
Chegou a madrugada, sessão da festa acabada
Na abalada, no regresso, o Júlio adormeceu e numa árvore embateu
Seguiu-se a solidariedade, bicicleta a ficar num oito
No derradeiro troço da estrada, os ombros conheceu
Funcionaram duas almas e a companhia de transportes - pés
Na madrugada aconteceu

Daniel Costa

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

POEMA FLOR DO JASMIM

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FLOR DE JASMIM

Linda flor se desenvolvia no meu jardim
Reparei melhor no canteiro
Ai se criava a flor do Jasmim
Fiquei fascinado com a alvura da flor que se apresentava
Talvez parecesse alienado, sou assim!
Pareceu sorrir
Sorrir ao jardineiro, a mim
A flor existe em forma pessoal
Sempre sorridente
Chama-se Severa Cabral
No nome Costa, tinha de ter é evidente
Sorridente é um bem natural
A Sensualidade de Severa é latente
Adoro essa mulher
Tal mulher que me sorri feliz, é assim
Tal como a emoção
Me fez sentir frente ao canteiro do jardim
Também feliz por estar
Junto ao alvo canteiro da flor do jasmim
O jardim sempre me encanta
Tal como a Severa, a mulher
Que para transportar o bem não precisa ser santa
O seu tom e sorriso é dom
Um dom que qualquer ser encanta
A minha flor de jasmim
Me toca a alma
Sempre que vou mirar o jardim
Lembro Severa Cabal
A flor, seu encanto, olhando para mim

Daniel Costa

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

POEMA EU PESCADOR ME CONFESSO



EU PESCADOR ME CONFESSO

“O trabalho do menino é pouco
quem o despreza é louco”
Dizia muito a Karola
Muito em segredo ti João Silvestre
Ora aquela bruxa sacola!...
Aos dez anos comia já o pão que o diabo amassou
Dez anos ao sair da escola
Aos doze anos, sendo humano como sou
Ser mariscador amador
A mente sempre irriequieta pensou
Numa tentativa de contribuir mais para o orçamento familiar
Como companhia imaginei a ti Lourdes
Também a ti Alzira, bastava o pai autorizar
A andar quatro quilómetros
Para chegar àquele perigoso mar
Já ali em perfeita comunhão com a natureza
De pesqueiro em pesqueiro saltitar
Se não fora as lapas de que a mãe fazia saboroso pitéu
Por vezes todo o tempo do mundo e sem nada apanhar
Acumulando com gosto maquinei ser também pescador
Outro patamar!
E tanto meditei que apenas só uma vez ver fazer
Anzóis aprendi, como qualquer marinheiro, a empatar
Dinheiro para custo de anzóis e fio, foram de temer
O resto seria artesanal
A cana do canavial onde a fui escolher
Por mãos próprias trabalhada, um mimo sem rival
Para o pai de novo aceder
A companhia de um seu amigo
Apresentei para me proteger
Era o Júlio, com a ajuda dele
Tentar apanhar robalos, sarguetes ou bodions com a força do querer
Aconteceu uma dia, escolhemos um lagedo
Nada o fazia prever
Dentre bastante entretenimento, confesso
Com o entusiasmo escapou que a maré estava a encher
Fui mariscador de polvos e navalheiras
Vislumbrei ali a morte a temer, nada de dor
Bastante pesquei
Confesso que fui pescador

Daniel Costa


sábado, 7 de janeiro de 2012

POEMA PRAIA DO AMOR



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PRAIA DO AMOR


Todos os povos adoraram um Senhor
Um Deus, se até houve deuses pagãos!
Reza a tradição no nordeste, na linha do equador
Numa praia, entre penhascos, um deles forma arco
Já os namorados índios o passavam em juras de penhor
Segundo reza a lenda, no que hoje é município do Conde
A lenda que o arco detém e fixa com o mesmo fervor
Não muito distante da cidade de João Pessoa
Da tradição nasceu seu nome: Praia do amor
A Praia, como muitas, fica no Estada de Paraíba
Vendo, assim não há engano de maior
O arco caracteriza a praia
Praia do amor
Porém, há guias turísticos mesmo paraìbanos
A dar mostras de não saber esse pendor
Desde o tempo dos índios de antanho
Com promessas de eterno louvor
Quantas beldades e sensualidades
De mãos dadas imbuídas de amor
A milenar e interessante passagem pelo arco transpuseram
Pensando louvar o Deus Senhor
No caso a Sarinha terá passado a sós
Com a grande admiração do homem seu amor
Como beldade e atraente sensualidade
Essa mulher que Deus criou a mostrar ao mundo
Mais uma mulher bonita em procura da verdade
Sarinha (sam e desnuda) é uma mulher de pensamento profundo
A ultrapassar com fervor, como fosse ainda “ten ager”
“Ten ager” do amor, que é no fundo
Ela sempre fala do amor, esse penhor
Que exorta e transporta dentro do coração
Transpondo o arco, o da Praia do Amor


Daniel Costa
Fotos: Sarinha

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

POEMA TERRA À VISTA

NIASSA - foto adquirida a bordo

VERA CRUZ - foto adquirida a bordo

 

TERRA À VISTA

Não viajava procurando conquista
Foram viagens de mobilização militar
 Viagens em que gritei – terra à vista
Essas viagens nada tiveram de salutar
A primeira em Luanda
Em uníssono a gritar
Foi como no meio de um pesadelo
Era madrugada, estava-se a Luanda chegar
A velha carcaça, o misto barco Niassa ardia
O momentoso incidente acontecia ainda no alto mar
Reuniu-se muita gente
A ver garbosos marinheiros, o fogo apagar
Aconteceu em, mil novecentos e sessenta e dois
Os mesmos batalhões regressaram
Vinte e sete meses depois
Todos a esse fim não se guindaram
A guerrilha os tragou, era de prever pois
Em mil novecentos e sessenta e quatro
No paquete Vera Cruz
Muitos ainda, muitos tentado afastar o sonho do mato
À terra de Lisboa chegaram
Terra à vista… terra à vista… terra à vista!...
De novo, em uníssono gritaram
Nenhuma conquista
Porém havia uma razão:
Terra à vista
Respectivamente, doze e onze dias a flutuar
Duas vezes passar a linha do equador
Ver peixes a voar
Nas amuradas a meditar, entre conversas, sobre o futuro
Nenhuma terra, apenas alto mar
Bastante tempo
Apenas o longo mar avistar
Recordações que um deus menor
Deu a faculdade de ainda recordar
Em pesadelo ao apelo
Terra à vista gritar

Daniel Costa