A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

domingo, 6 de dezembro de 2009

Poema

RECEBI DA BOA AMIGA E POETISA, ANA MARTINS.

Agradeço e deixo regras:


Escolher dez amigos para declarar a nossa amizade e os nomeados, para que continuem a DECLARAÇÃO DE AFECTO por dez dos seus melhores amigos.


Não há selos ou prémios, apenas a nossa declaração sincera de afecto.

A minha declaração de afecto vai para:

EVERSON
SARITA
VANUZA
VALENITA
BANDYS
RENATA
FERNANDA
SUSY
ZÉLIA
VERÓNICA

Uma local do Semanário SOL, de Lisboa, em 4/12/2009









RELÓGIOS DE SOL


Mocidade talvez grandiosa
Imaginação aventura
Nem de perto nem de longe ociosa
Diriam dura
Para mim aventurosa
Muito criança azáfama segura
Vida bastante vivida
Havia o sonho, a ideia de aventura
Recordo e sorrio *
O pai era especialista (?) a podar e empar *
Videiras, em parcelas, abrigadas de caniceras *
Ali no Oeste à beira-mar
Destinava trabalho aos filhos
Enquanto a jorna do dia ia ganhar
No fanfarrão e noutras courelas
Quando o estômago pedia para jantar*
Havia uma cana, como relógio de sol
Indicava o meio-dia, o jantar * prestes a chegar
Por vezes calhava Pedrógãos
O sítio é lindo, embora pareça isolado
Avistava-se a igreja da Rebera *, não havia imbróglios
Quando na fachada o sol batia
Os estômagos exultavam:
- Pelo sol, meio-dia!
O sonho e aventura comandavam
A aventura mais sonhada, de chegar um dia havia
Sonhada, aventurosa, acariciada
Raiou um belo dia
Recordar, a aventura dos relógios de sol
A meninice será recordar não é fantasia
Recordar a aventura
Que passou um dia, como se fora maresia
Junto ao mar
Alegrias da meninice que foram um dia

Daniel Costa


*sorrio: recordo que aos 17 anos podava e empava videiras, nunca as do meu pai, ou outras da minha aldeia de nascimento
*canicera = caneira: sebes de caniço seco

*jantar: refeição do meio-dia solar
*Rebera: Ribeira - o nome que se dava muito à aldeia de Riba Fria

D. C.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Poema






Activista na luta contra a violência doméstica

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

E A MULHER


Um ser humano uma mulher
Tem sentimentos apurados
Mais sensível que um homem qualquer
A avó, a mãe, a filha, a amante
Por vezes a secretária
Eis a fusão de sentimentos da mulher
Sua sensibilidade, sua humanidade
Complementam a amizade que se quer
Quando homem e mulher se unem
Há dois corações
A princípio amantes que se fundem
Na cordialidade
Devem cultivar um grande amor
Amor de humanidade
Poderá fenecer o amor
Nunca o sentido da humana lealdade
Conjugaram-se homem e mulher
Que nunca falte sinceridade
Podem acabar os amores carnais
Jamais o amor de humanidade
Há mulheres que também usam rebeldia
Tanto ela como ele
Terão presente uma mente doentia
Será necessário
Ter o sentido do humanismo em dia
Acabar o amor hoje, não dispensa
Se pense na sensibilidade do amor de outro dia
Homem e mulher juntos formam uma unidade
Biologicamente diferentes, é certo
O fim deve ser amar até a eternidade
Excluam-se violências
Faltas de humanidade
Não pactuemos com um mundo onde
Prolifera a insanidade, quiçá a maldade
A mulher a sofrer as loucuras
A doentia desumanidade

 

Daniel Costa




terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Poema









HORTA DO ARNEIRO



Olhando aquele espaço
Vazio de ressequido restolho
O que podia ser regaço
Da mãe natureza
Cru, seco vazio, vazio
Com um veio de água, uma tristeza
Chegara a TV a Portugal
E o Arneiro de triste singeleza
Estava na adolescência
Conseguira um trabalho em beleza
Concerto de estrada
Lourinhã a Ribamar, uma grandeza
Passava ao pedaço do Camarão
Jamais esquecia Pedrógãos
O luar da Eira o cultivo vinícola do Fanfarrão
Mas meus deuses
O espaço do Arneiro vazio e sensaborão!
Perpetuava-se um pecado
Com o caudal de água à mão

Dum sonho meu nasceu
Uma clandestina horta, um senão
O Aneiro havia de ser trabalhado
Ao Domingo e ao serão


Um dia, o pai Zé
Ao Domingo na tasca
Que se veio a transformar em café
O segredo estoirou, alguém o abordou
Que maravilhosa horta tens Zé!
E o Arneiro ali à mão
Bonito? Não dera Fé!
De quem o alertara não duvidou
Ficara como louco
A tradicional enxada afagou
Foi visitar o Arneiro
O Arneiro o deslumbrou
Do feito do petiz
Ficara feliz e tacitamente colaborou
Viera a mobilização para guerra de África
Três anos, a erosão, o sonho secou
Ao ver de novo o seco restolho
Fez-se luz, outro sonho, o de Lisboa restou
A horta foi lição
Dez anos depois, de degrau em degrau
Outro mundo, o das letras era o campo então
De vida, aos vindouros
De várias, que não se usam, vivi, deixo uma lição
Era petiz de dezassete anos
Foi sonho ontem, sonho vivido então

 

Daniel Costa