A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

domingo, 8 de maio de 2011

POEMA PRESSA DE VIVER

Daniela Ruah

PRESSA DE VIVER

Tenho pressa de viver
A um oitavo de década
Na segunda encarnação
Da primeira, nada arrepende
Recuperei a pressa de viver
Pois então!
Que hei-de fazer?
Se tenho pressa de viver?
Reparo que ainda estão
A fazer labiríntica gestão
Não acabaram os “boys”
Pois então
A segunda encarnação
Será mais curta
Porque tem de ser
Tenho pressa de viver
Traduz empurrar
O natural acto de morrer
Naturalmente é fazer jus
Ao ditado que diz:
“Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer”
Ou seja alargar o tempo
Nesta encarnação também uso
Tenho pressa de viver
Não ao desuso
Quem vai, com desejo de morrer
Deixo passar, quero viver
Abrir as mãos e dizer
Deixem-me, estou a fazer!
Tenho pressa de viver
Quero recordar
Os meus três anitos
Da tia que então feneceu
Da miúda, que de mãozinha dada
A subir a Rua me acompanhava
Recordo o desgosto
Porque logo morreu
Sempre com pressa de viver
Fiquei eu!...

Daniel Costa

quinta-feira, 5 de maio de 2011

POEMA CIRENE



POEMA CIRENE

Voando na tecnologia que há
Acomodado em Lisboa
Dou uma passagem pela Baia do Guarajá
Já sei da verdejante, quiçá exuberante Amazónia
Adoro a zona e paro em Belém, capital do Pará
De repente aparece-me a Cirene
Não, engano no nome não há
A mulher é linda, será de beleza perene
Cirene Guimarães Girou Girou
Mulher nova, viúva, transparente
Com três filhos lindos que me mostrou
À sua beleza acrescenta sensualidade
Como de Goiás que é, continua a gostar de namorar
Adora flores, na flor da idade
Simples, meiga, sensual, ama e gosta de se cuidar
A Cirene é terna e simples com alguma vaidade
Ama o viver, ama as pessoas
Adora cinema, é cinéfila da, sua cidade
Com três filhos, sabe administrar o tempo
É de crer que o condão lhe advém do seu bacharelato
Do seu bacharelato em contabilidade, por exemplo
Virado para a informática, hoje um conceito lato
O que leva a poder falar-lhe de Lisboa em vídeo
Voar pelas auto-estradas da comunicação
É um regalo ter contactos de amizade com a Cirene
Estar em Lisboa e ter Goiás à mão
O longinguo Estado  
Do signo touro, que não se confunda com leão
É temente a Deus, chocando-a ocorrências tristes
No Brasil desse pulmão
É por lá que está a Cirene
Uma amiga do peito, assim como uma oração

Daniel Costa

domingo, 1 de maio de 2011

POEMA MÃE HÁ SÓ UMA


MÃE HÁ SÓ UMA

Tudo é uma questão de convenção
Assim foi estruturada a sociedade
Convencionou-se o Dia da Mãe então
Em Portugal no primeiro Domingo de Maio
É a bonita celebração
Se todos têm pai, também nasceram de uma mãe
Muitos ainda contam com os seus carinhos
De quem os desvela como ninguém
É normal se reunirem e festejarem juntos
O que se deve prezar como um bem
Por mim que já cheguei à idade da orfandade
O meu coração fica em festa também
Recordo o bem, o esmero, que usufrui
Do amor de mãe
A mãe de quem herdei viver feliz
Com o estremecimento de alguém
Apesar de ter carregado nove filhos no ventre
Oito, criou sempre com esmero
Da primeira, a Esperança, a lembrança perdurou
Perdurou a terna emoção da perda numa oração sem desespero
Como foi terna a minha mãe!...
Recordo-a sempre
Porém no seu dia renderei mais amorosa emoção
Como se fora o meu presente
Não me esqueci dela
Aquela mulher bonita que os filhos muito amou
Com a sua capacidade muito singela
Quero desejar em cada dia convencionado Dia da Mãe
Que todos possam sentir
A emoção por quem na sua vida é, ou foi alguém
Como ainda hoje sinto os valores
Que me infundiu a minha boa mãe!...

Daniel Costa
NOTA: Dedico o poema a todas as mães do Brasil, sobretudo as que aqui me visitarem, recordando que no Pais irmão o Dia da Mãe se celebra no segundo Domingo da Maio.