A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

quarta-feira, 8 de junho de 2011

POEMA NAMBUANGONGO


IGREJA DE NAMBUANGONGO


FOTOS DO MEU ARQUIVO, O SOLDADO SENTADO
CHAMA-SE DANIEL COSTA

NAMBUANGONGO

Ir a Nambuangongo era como ir à cidade
Nos idos de sessenta e dois e tenra idade
Pela UPA era considerado um reino
Que entretanto, pelo lendário Maçanita
Havia sido retomado, com astúcia e treino
Delimitado pelo rio Lifune,
Por guerrilheiros, pontes destruídas
Tentando cortar avanços, à tropa determinada
A Muxaluando passava uma picada
Entre Vista Alegre e o Lifune, a sua ponte
Ali estava, com a tentativa destruidora ficava
Em Vista Alegre de boas recordações
Tropa de Maçanita, teve ordens, avançava
Depois Nambuangongo retomava
Em Nambuangongo a gente ri depois
Enquanto nas cantinas, se bebericavam
Cucas, em grupos de talvez dez, mais dois
Novidades flutuavam, uma em que os "turras"
Atacaram, furavam tachos
Em Portugal, seriam nurras
Digamos, que pela primeira vez
Um tal, com apodo de Totobola comandava
Ufano da avioneta vociferava
Amigos: mulheres bastantes tinha, até desprezei
Em corridas de automóveis participei
Aqui do alto, as minhas tropas comandarei
Um outro, Tenente-Coronel, fazia espectáculo
Como bobo de qualquer rei
Todas a manhãs fazia preparação física
O risível método consistia em rebolar no chão
Munido de pistola aos tirinhos, seria tisica?
Entre acampamentos, onde havia protecção
Sempre bizarrias de superiores oficiais
Eram horas de liberdade rir e dizer
Olhem os exemplos: vejam os tais!
Em Nambuangongo
Rir inocentemente, não era demais

Daniel Costa


segunda-feira, 6 de junho de 2011

POEMA MA CERAMISTA



POEMA MA CERAMISTA

A arte pode traduzir alegria
É essa que observo em Ma Ferreira
Uma mulher alegre feliz sem euforia
Natural de quem é feliz como Ma Ceramista
Vive na felicidade todo o santo dia
Sente-se a amizade e a felicidade à sua volta
O seu mundo da pedagogia e da arte
Do apoio familiar se sentirá envolta
É assim que Ma Ceramista desenvolverá a sua arte
Arte de cerâmica deveras fina diversificada
Podia ser noutra parte
Porém é em São Paulo
Que com perfeição e fino labor
Vai criando um mundo de regalo
Já pensaram coleccionadores ceramistas
Criar um diversificado mundo de fino amor
Seguindo estas pistas
Ma Ceramista dedica-se também à meditação
O que levará depois a trabalhar
A estudar a peça que tem em mão com invulgar atenção
Sempre sai um primor, direi amor
O artefacto de decoração
Que pode decorar qualquer superfície
A alegrar o coração
Sabendo sonhar um bonito arranjo de unicidade
As peças artesanais imaginadas com emoção
Emoção, que terá retorno
A vivacidade, a alegria
Será o contorno
Desejo enaltecer Ma Ferreira
Com o mesmo jeito prazenteiro
De tempera, em si, reluzente
Seu imaginar é um luzeiro
Assim é Ma Ceramista
Uma pedagoga
Com a felicidade de artista

Daniel Costa


sexta-feira, 3 de junho de 2011

POEMA CONCHINHAS



AS CONCHINHAS

Ainda não havia chegado a televisão
Jogos e computadores, evidentemente não
Jogava-se a concha, o berlinde, o pião
Improvisado aparecia o jogo da semana
Com oito casas, riscava-se no chão
Os batos feitos de pedaços de caco
Arredondados na cantaria do vão
Jogava-se, para apurar o campeão
Era a vida, a da pequenada, a da ilusão
Para jogos não havia inventos, havia tempos
A professora dizia as fúrias, conforme os ventos
Todos tinham, para jogar, seus instrumentos,
Verdadeiros tesouros de inventos
Escasseavam nos bolsos as conchinhas
A jogar numa nóquinha, como se dizia então
Davam à costa e abundavam na Praia da Consolação
Acabadas as aulas, estava a começar o Verão
Tudo se muniu e a professora lá levou o pelotão
Cada qual apanhava o seu tesouro, o seu quinhão
Tudo mudou, já não há conchinhas
Pena, porque estavam ali uns diamantes
A preencher os bornais das ilusões de então
Do jogo das conchinhas poucos se lembrarão
Mas lá está o extenso areal
Qual cosmopolita Copacabana de Portugal
Representando a Praia da Consolação
Ligando a da cidade de Peniche medieval

Daniel Costa