A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

quarta-feira, 8 de abril de 2009

poema

ESQUIZOFRENIA

Falar da doença bipolar
Falar da patologia
Não é de agradar
No caso antes grito
Conviver com alguém
Ainda que humano paciente
Parece vir uma voz do além
Gritar: tu és mentalmente doente
Conviver com a esquizofrenia
Parece, ou é o irreal da mente
Versão do sobrenatural
Dum mundo fabricado
Ao doente parece real
Não se discute a verdade
Aí residira o mal
É necessário paciência
Ouvir um eco
Uma definição a raiar ciência
Dum lado a hereditariedade
Onde se nota inteligência
No meio o elo, a idade
Passa por nós a evidência
Acabamos, momentaneamente, por ceder
Sofrer consequência
Ressuscitar de novo
Forte no sentido de humanidade
Assumir a doença, o polvo
Carregar com uma cruz
Da sociedade, do povo
Fazer parte das misérias
Tentando encontrar luz
Alegremente
Tentando seja bem conduzida a cruz


Daniel Costa

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Deixo link, veja-se:

http://www.youtube.com/watch?v=uJS7V7gj24U

sábado, 4 de abril de 2009

poema

MULHER AMOR

A principio com Pudor
Sabendo que és minha
Mulher meu amor
Na intimidade
Acabo por ficar mais senhor
Olho com infinita paixão
Infinito ardor
Mulher coração
O aveludado dos teus seios
Hipnotizam meus dedos
Que fremem de fervor e anseios
Apalpado o teu aveludado corpo
Ziguezagueando sem rodeios
De repente
Com pequenos gemidos
Entras em êxtase
Parecem ter despertado os sentidos
Perdes então também o pudor
Entregas-te num desejado
Impulso de ardor
Ah!...
Mulher de puro amor
Como desejamos, mulher
Estes beijos com sabor
Como que a infinitas maresias
Como é gostoso o nosso amor
Feito de melosas sinfonias

Daniel Costa


NOTA: o poema foi escrito, a propósito para o BLOGUE de Renata Maria Parreira Cordeiro. FEMININA -
A piada é que foi escrito por outro alguém de apelido Cordeiro, cujo não é muito vulgarizado.
Poderá parecer blasfémia, mas arrisco e escrevo: DCC = depois de Cristo o Costa.

DCC

quarta-feira, 1 de abril de 2009

poema

ABRIL

Começa com o “dia das mentiras”
Assim, é um dia popular
Nada de safiras
No fundo um dia singular
Em “Abril águas mil”
É do vulgo popular
Mil novecentos e sessenta e quatro
Todo o santo dia chuviscou
Recordo esse desiderato
Chegava a Alcântara
Com extremo aparato
O navio Vera Cruz
Chuva miudinha
Uma desumana espera
Os senhores Generais
Tratavam milhares de homens
Como se fossem bandos de pardais
A espera para desfiles pressupunha
Quererem falar a animais,
Chuva miudinha caía
Sacos de comida individuais
Farda inadequada, não só para a madrugada
A rouquidão ameaçava
O Comboio de Chelas a postos
A Estremoz ainda nos levava
“Abril águas mil”, diz o ditado
Em Sessenta e quatro
Cumpriu-se o fado
Açafatas distribuíam flores
A qualquer casal estrangeiro chegado
Andavam muitos admirando
Na subida do velho Chiado
Com flores eram contemplados
O "Avril au Portugal" tinha chegado
Ninguém saberia
A casa de Garrett
O Teatro Nacional arderia
Em “Abril águas mil”
A democracia orgânica, o que seria?
Talvez a propaganda dos zeros
Em Abril com cravos acabaria!

Daniel Costa
FAZ HOJE 45 ANOS NO MEU DIÁRIO ESCREVI ASSIM:
Dia um de Abril de mil novecentos e sessenta e quatro, é cedo e estamos prestes atracar em Alcântara, os meus camaradas assim como eu com a ansiedade de chegar a Lisboa nem dormimos. Oito horas, começámos a desembarcar sob as vistas de gente cheia de ansiedade aguardando o momento de abraçar os seus entes.
Uma da tarde desfilámos perante o Sr. General, debaixo de chuva, depois seguimos de comboio para Estremoz. Chegados às seis da tarde, fomos recebidos pela população com entusiasmo, seguiu-se o jantar no quartel e a entrega do fardamento. (SIC).

Daniel Cordeiro Costa