A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

domingo, 29 de abril de 2012

POEMA REDES




POEMA REDES

Certo dia, numa conversa informal
Tive a dita, a primazia
De trocar impressões com Severa Cabral
Daí nasceu grande sonho: um certo dia!
Parecia-me deveras real!
Sonho de ilusão e fantasia?
Na sombra, presa a dois pinheiros de um pinhal
Uma rede me embalava, o chilrear dos pássaros ouvia
De repente, o sonho pareceu-me divinal
O pensamento voou, porque aconteceria?
Parava numa praia, onde se avistava um coqueiral
Pareceu junto à cidade de João Pessoa, seria?
Onde mora Severa Cabral
Sem deixar de embalar-me na rede, o coração
Sentia uma bonita índia, da época medieval
Depois pareceu que entoava uma oração
A índia se apresentava fraternal
Ora de traje de variegadas cores, ora do verde da sua Nação
Que visão divinal, uma índia transformada em Severa Cabral
Que sonho de movimento e emoção!
Se o torpor do sonho fosse tornado real?
Seria o baloiçar da rede, a preconizar a realização?
Ao acordar, não teria sonhado alto, prevalecia o bom astral
Estaria petrificado de comoção
Seria mesmo a médium sideral?
A contemplar-me com o sonho, de razão ou de alienação?
Era por certo, um sonho emocional
Onde esteve a nordestina escritora,
A versátil, a mulher interessante, Severa Cabral

Daniel Costa

sexta-feira, 27 de abril de 2012

POEMA LENDA DE OLHÃO




LENDA DE OLHÃO

Em tempos que lá vão
Em que os moiros dominaram
Governaram também a nação
Da Ibéria, onde se situa Portugal
Dele faz parte a cidade de Olhão
Do Algarve reconquistado
Dali viria a interessante revelação
Nas apressadas fugas
Segundo lendas várias em Olhão
Ficaram encantadas donzelas
Mitos de paixão
Uma das lendas, de que falo
Tem bela, sem senão
O seu encantamento perdura
Em Olhão da Restauração
O velho moiro, que adorava Alá
Ao jovem apaixonado prometeu boa relação
Se este conseguisse desviar o riacho para a sua quinta
Seria uma inacessível, mas ocasião!
Porém, o jovem muito apaixonado conseguiu
O velho e sabido moiro a escutar sem fazer serão
A certa altura, nem Alá lhe valeu
A água jorrava em profusão
O mancebo de novo acompanhado de alaúde
À sua amada, em serenata, entoava a sua canção
Ao ouvido do experiente velho chegara o trinar
Pelo timbre de voz lhe pareceu ser do mancebão
Ora o canalha venceu a imponderável condição!...
Antes matá-lo que da minha amada filha lhe dar a mão
Passarei a desfrutar de água
Ficarei com a filha, no castelo, na mansão
Por Alá, assim aconteceu!
Na quinta de Marim, em Olhão
A donzela para sempre, ficou alma penada
Expulsos os moiros, do rincão
Em certas noites de tempestade
Ao bater doze baladas, perto de Olhão
Toda vestida de branco aparece a bonita donzela
De mão dada ao eleito seu noivo, segundo a tradição
Em serenata, em balada, por especial deferência de Alá
Segundo uma das lendas da cidade de Olhão

Daniel Costa

domingo, 22 de abril de 2012

MISCIGEÇÃO I I




MISCIGENAÇÃO - II



Regressei de avião
Desci do nordeste
Miscigenação
Passei em Brasília
Capital Federal do País irmão
Fundou-a Juscelino Kubitchek de Oliveira
Que assumira a Presidência da República de antemão
Sobrenome bem português
Discursou alto, lá no planalto
Que o mundo ficou a conhecer de vez
Paráfrazeando:
O novo mundo brasilês!
Dali passei à São Vicente, com a sua praia reluzente
Onde em mil e quinhentos, aportou o genial belmontez *
Pedro Alvares Cabral de mais valias vidente
Ali se rezou a primeira missa, presidida por outro português
Terá tido em mente a mistura de etnias
Miscigenação evidente
Praia a atrair a metrópole de São Paulo
Fundou-a o jesuíta
Talvez seguidor de Saulo
Padre Manuel da Nóbrega
Do mundo, de hoje, uma das maiores cidades
Ali se entende gente de todas essas etnias,
De todas as idades
Viajei pelo sul sem correrias
Acabei na maravilha das cidades
Na cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro
Onde se refugiou a Corte Portuguesa
Treze anos, um aneiro
Resultou maior emigração
Portugal voltou a receber o príncipe rei
El-Rei Dom João
A governar no Brasil ficou seu filho Dom Pedro
Governar o que se preconizava grande Nação
Foi Dom Pedro o Imperador Primeiro
O grito de Ipiranga, a acção
Portugal e Brasil legaram ao mundo
Um exemplo: miscigenação

Daniel Costa

• Pedro Álvares Cabral era de Belmonte,
• Concelho do Distrito de Castelo Branco