A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Poema


Caliornia - foto Susy


Açores - foto Susy




SUSY


Pode enlear-se de louvores
A bonita Susy
Nos States com os seus amores
Uma interessante mulher
Portuguesa do arquipélago dos Açores
Susy que faz amigos num instante
Mulher meiga, simples sensata
A sua doçura é incessante
Embora integrada na nação americana
Sempre a imagem do Arquipélago
A grandeza da alma lusitana
E o mar esse abismo sem fundo
Como todas ilhas do Faial é de origem vulcânica
Ela ama, a força deste mundo
Onde nasceu a mulher amante
Escuta o mar, o mar profundo
Ama-o como a família
Afaga a saudade na Califórnia no outro mundo
Como é de beleza simples
Interiormente demonstra amor profundo
Susy não deixa de amar os Açores
Deste lado do mundo
O Arquipélago mais as suas Flores
Seus verdejantes declives, belos sabores
São sempre parte do seu ser
Dos seus amores

Daniel Costa



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Poema



Em 1999

Foto: Isabel Caxias
Legendou assim:
Quem diria algum dia que esta foto podiar ser tirada?
É o que se chama ter dado um pontapé certeiro na morte
Felizmente já lá vai... e os melhores dias voltaram!!!


Em 2010

O RELATÓRIO



Aventura algo de Notório
Numa segunda vez
Consegui ler o Relatório
Estava a tentar a outra vez
Da primeira não li, nada de ilusório
Era como que um milagre
Daniel milagre teve origem no relatório
A maior aventura
Foi ser leitor atento de algo peremptório
Acabei, pensei:
Como poderei eu, ler algo tão aleatório
A minha própria vida em jogo
Dizia peremptório o relatório
O melhor que pode acontecer ao paciente
É ficar a vegetar para o resto da vida
Jamais será gente
Sofreu um mortal AVC, um abanão
Se não fenecer para sempre ficará doente
O que é pior, doente mental
Sofreu um revés da cabeça aos pés
Trinta dias em coma afinal
Operado ao cerebelo
Não morrerá no hospital
A família que cuide dele
Desumanidade não será o pior mal
Que ajudado, pela família sobreviva
Passaram três meses, julgava-me o maior
Sorte a minha, displicente escrevia
As faculdades, uma a uma
Porfiava e recuperaria
Sem nunca estar triste sequer
Sete anos depois, eis o sorriso
Não um esgar qualquer
Também a sensualidade
Sorriso, sensualidade e o apreço pela mulher
Eis-me no décimo ano da segunda encarnação
Como foi possível?
Foi algo que a própria medicina não tem explicação
Feliz por ter vencido a irmã morte
Foi-me dado viver uma segunda encarnação
Sem saber o que fazia, gostosamente
Eu próprio tomei medidas, talvez de ilusão
Como sempre lutarei
Pela verdade, justiça e união
Neste meu mundo onde há lugar
Para o sonho, magia e ilusão.

Daniel Costa


TERMINA ASSIM O RELATÓRIO:
Mantêm-se internado na Unidade de Cuidados intermédios completamente dependente do pessoal de enfermagem. Não sendo, por enquanto, possível estabelecer um prognóstico adequado. No entanto, parece-me pouco provável que o doente retome a sua vida normal.


Lisboa, 00/07/26


Drª. Rosa Pereirinha








domingo, 10 de janeiro de 2010

Poema


O pai Zé de boné

Corrida de burros em Ferrel em 2007, a cerca de 90 km de Lisboa

 Turimo rural, passeio de burro na serra dos Candieros, 120 km (?) de Lisboa


A BURRA DO PAI ZÉ


Burros às filas e a garnel
Havia no concelho de Peniche
Na estrada do Baleal, que vai de Ferrel
Viam-se por toda a direita em fila a caminhar
Quando os burros desempenhavam um papel
Foi ontem, fica o meu testemunho visual
Recordar o ontem no lugar de Ferrel
Em corridas de burros a comemorar
Onde se busca o asinino fiel?
Em Espanha, meus deuses
Mais o pai Zé e seu irmão, o tio Abel
Se até em Ferrel, a partir da adolescência
Quem não detivesse burro
Era rico, ou de homem uma excrescência
Passei e passo muito a Ferrel
Dessas máquinas, que não gastam óleo
Estamos noutro século, sorriam vá lá!
O pai Zé deixou uma no seu espólio
Dizia o pai, burra como esta não há
Saio a cavalo, ela adivinha o que visitar
Sem querelas traz-me para cá
A minha filhota, sua neta
Como pequena petiza displicente
A brincar passou-lhe debaixo
Dono à vista e a burra quieta, obediente
Ficou quieta não se mexeu
Ah!... Pai Zé, como exultaste contente
Já pouco contaste o episódio
Porém, a burra valorizaste efectivamente

Alguém a pagou bem como animal
Muito bom, útil e reverente

Daniel Costa