segunda-feira, 19 de outubro de 2009

poema



Um dos quadros de rendas de bilros, de Peniche, que actualmente decoram as paredes da sala, onde a minha mãe fez rendas, com perfeição e preseverança, até pouco antes da sua morte 

RENDAS DE BILROS


A verdade é salutar
Falar em rendas de Bilros

É folclore, é falar do mar
Falar delas, das de Peniche
O século passado é recordar
A cidade de Peniche
Delas era um altar
Nos anos quarenta sabia ler
Com emoção ouvia o doce marulhar
O artesanato das rendas
Eram complemento da economia familiar
Minha doce e analfabeta mãe
Era uma rendilheira de encantar
A dedilhar os bilros
Lia-lhe histórias de pasmar
Garoto ainda, do café e das bolachas
Fazia-me participar
Executava ela os furos dos piques
Os moldes, as linhas, eu a traçar
Na noite sentia-se e ouvia-se
Por vezes, um doce marulhar
Outras a rebentação
Essa sensação de encantar
Depois as alterosas ondas
As rendas fizeram inspirar
Respeitoso medo e sensação
Os desenhos das rendas
As próprias, nasceram dessa oscilação
Desse encantamento
Da ondulação

Daniel Costa
Texto e foto


14 comentários:

Jacque disse...

Muito Lindo Daniel. Excluí meu Blog de Poesias.

Beijo.

Jacque

xistosa - (josé torres) disse...

Gosto mais de tricotar uns fios ou de desenhar umas lascas de presunto.
Coincidência das coincidências, parece-me que hoje havia uma feira de artesanato.
Sónão sei se em Peniche ou Vila do Conde (também Aljustrel, é um centro destas rendas, que aliás acompanham quase a costa toda.
São o "prolongamento" das redes dos pescadores.
Recordo-me do trabalho que não me davam a mim, só ia buscar brasas - à padaria - num latão, para encher o ferro, enquanto os naperons de bilros ficavam a "demolhar" em goma.
É o que recordo.

Agora leio esta lembrança em poema.
Recordar é mesmo reviver.

Andresa disse...

Amigo Daniel
Que resgate amigo, aqui não encontramos so maravilhosas poesias, mas historia e conhecimento, que enriquece a alma de saber.
O que não faz a experiência??????
E posso ser sincera, não conhecia a rendas de bilros..... e esta foi me acrescentada hoje em meus conhecimentos.

Parabens!
Um otimo dia
Andresa

Val Du disse...

Daniel

Belo poema.

Bjos

tania disse...

Lendo seu poema...ele me trouxe doces recordações, onde menina, sentava junto a Mena e vía deslizar entre os seus dedos com destreza, os bilros...que trabalho lindo! encantador...Hoje so me resta a lembrança...de muitos dias felizes. Bjos

Carmem disse...

Oi, Dani.
Lindão o seu poema.

Adorei o poema que vc fez p/ minha amiga Valenita, lindão!!!

To adorando ler tudo que vc escreve, vc é o máximo.

Beijão.

SAM disse...

Daniel, um dos mais belos poemas teus. Transmite toda a beleza e a delicadeza não só da renda de bilro, mas sobre a alma e vida das rendilheiras, enquanto suas mãos trabalham. Um poema que nos traz toda esta magia maravilhosa. E que beleza de quadro perpetuando lembranças tão doces! Belíssimo o poema e o contexto, amigo! Amei!


Carinhoso beijo.

Pensador disse...

No Nordeste do Brasil, a renda de Bilro é uma ocupaçãlo tradicional, herança da época da colonização. É um trabalho muito bonito e de paciência. Admiro quem o consegue fazer.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, Meu Anjinho!
Já cheguei, volto aos poucos.
Obrigada por tudo,
Bom Dia!
Beijos, querido!

Ps: Estou escrevendo um poema sobre a minha colchão de brocados que eu mesma teci, depois lhe conto...

Whispers disse...

Querido Daniel!
saudades de te ler, e ja tinha saudades de ver tua passagem em meu whispers
Obrigado pelo carinho.
Muito bonito esta foto,gosto muito de artesanato.
Toda vez que visito Portugal eu amo correr os lugares onde posso ver castelos e artesanato.
Mil beijos em teu coracao
Whispers

poetaeusou . . . disse...

*
uma tia
(que já está no lado
misterioso da vida)
ensinou-me a Bilrriar,
era miudo e não é
tão dificil como parece . . .
mostrei os meus dotes
no passado verão em
Vila do Conde,
ainda não esqueci . . .
srsrsrsr,
,
abraço
,
*

Sonia Schmorantz disse...

Os fios se entrelaçam e formam rendas, assim como as palavras entrelaçadas formam poemas...
Um abraço

Everson Russo disse...

Belissima historia, lembra uma vida, uma vivencia muito gostosoa, o passado é sempre bom ser lembrado...amigo, tenha um belo dia...abraços.

Everson Russo disse...

Belissimas fotos, como é bom poder tocar um instrumento, como disse Caetano, o poema sem pre belo, reverenciando do Tango, uma bela e sensual dança....abraços amigo poeta, um belissimo final de semana pra ti.