domingo, 15 de agosto de 2010

POEMA O BURACO


O BURACO

Em meados do século passado
À luz de candeeiros de petróleo
Havia estudado
O País real havia de ter início
A ser electrificado
Os trabalhos andavam de aldeia em aldeia
Chegaram a minha natal sem terem falhado
Não lembro como aconteceu
Aos dezasseis anos trabalhadores contratados
Foi apenas o meu mano e eu
Para o tempo foi um modernismo que vivi
Com a vantagem que apenas oito horas trabalhava
Habituado à dureza do trabalho agrícola
Voltava a juntar-me aos companheiros logo que jantava
Não eram trabalhadores eventuais
Estavam deslocados sós e promoviam
Em conjunto os seus divertimentos normais
Participava com espectador
Aprendia com os rituais
O Afonso pegava na viola
Dedilhava os seus sons usuais
Risonho, afinava bem as cantigas como as de grafonola
Inevitável a seguinte que ficou nos meus anais:
“Foi como a amor de uma hora
Maria Clara é um amor da rapariga
Mas foi amor que passou
Cigarro que se fumou e a ponta se deitou fora”
E este diálogo muito ouvido entre dois manos?
“És tão bom e ganhas tão pouco”
Um dia havia feriado municipal
Na cidade de Caldas da Rainha
Onde era sedeada a S.E.O.L, a empresa real
A outra equipa composta por mim e mano
Não tinha direito, era eventual
Foi-nos destinado abrir buracos para as sapatas dos altos postes
Com tão pouca sorte
Havíamos de iniciar num grande buraco
Perdera-se mesmo a sensatez e o norte
Quase à superfície passava um veio de pedra
Tão dura que mesmo, com picaretas foi a alegria e a sorte
Dialogámos, só o tempo nos evitaria a queda
Ao outro dia tudo bem, apenas sentimos desdém
Mas continuavam a pedra
Dos regressados companheiros desdenhavam sempre além
Explicações não foram pedidas
Não preocuparam ninguém
Mas eis que foram eles tomar medidas
E o factor tempo trouxe-os à razão
Afinal o buraco
Era mesmo um enorme buracão

Daniel Costa

19 comentários:

angela disse...

Boas lembranças de tempos que já vão longe e em forma de poema demonstra a habilidade do escritor.
beijos

Marilu disse...

Querido amigo, belas recordações, de tempos longinquos, que parecem que aconteceram ontem...Lindo poema..Beijocas

lita duarte disse...

QUE BOM É PODER RECORDAR DIAS VIVIDOS.

MARAVILHA!

BEIJOS, DANIEL.

SAM disse...

Querido amigo,

sempre interessante e bonitas a sua vivência em versos.

Beijos, Daniel.

Bandys disse...

Daniel,
Adorei poder ler recordações que você tão bem compartilha com a gente.

Beijos meus

Fernanda disse...

Olá amigo Daniel!

Sei que estou em falta, desculpa a ausência.
É o Verão!

Foi bom recordar momentos passados!
Muito bem, como sempre, tem a chancela do mestre.

Parabéns.

Beijo

Whispers disse...

Querido Daniel,
Vida dura, vida de trabalho...mas uma vida feliz.

Amei este teu poema da tua vida, uma recordacao de bom gosto.

Desejo que a tua semana seja de paz e amor
Mil beijos
Rachel

Maria Soledade disse...

Amigo Daniel,recordar é voltar a viver de novo emoções. Uma passagem da sua vida que apesar de severa os bons momemtos estiveram bem presentes.

Beijinhos

****Daniel, o blog "Vento Norte" não é meu!!!!Vi lá um comentário do Daniel,dirigido a mim, mas o dono do blog é o meu irmão e não eu...

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Parabéns pelo *Buraco*. Lindo poema! Lindas lembranças tens o amigo. Admiro-te muito.
Beijos, querido.
Um ponto de Luz pra ti*

Escutando no vento
Tua voz secreta
Que me sopra por dentro
Deixa-me ser só seu
No teu colo eu me entrego,
Para que me nutras
E me envolvas
Deixa-me ser só seu

Um ponto de luz
Que me seduz
Aceso na alma
Um ponto de luz que me conduz
Aceso na alma

Por trás dessa nuvem
Ardendo no céu
O fogo do sol raia
Eternamente quente
Liberta-me a mente
Liberta-me a mente

Um ponto de luz que me seduz aceso na alma
Um ponto de luz que me seduz aceso na alma

Sara tavares*

Até mais ver+++ porque se eu não voltar a dormir, quem vai pro buraco de vez sou eu mesma.

Neste caso, *O fator tempo* não linear, é deveras importante.

Everson Russo disse...

Interessantes historias meu amigo,,,é sempre legal essas lembranças,,,essa recordações de paz...abraços fraternos de bela semana pra ti.

Marta disse...

Gostei do teu poema/memória...
Dos risos e das correrias por puro prazer...
Beijos e abraços
Marta

Ana Martins disse...

Belas recordações Daniel, o passado a borbulhar nos seus sentimentos!

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Oi, meu Anjo! Passando pra lhe deixar um grande beijinho!

* O alto valor que a vida tem só podem conhecê-lo os que inspiraram e sentiram nobres e grandes afetos. Maria A. Vaz de Carvalho.

Boa Noite! Até amanhã!
Renata
Passa na Maria, se puder.

Everson Russo disse...

Abraços fraternos de bom dia pra ti amigo,,,paz e poesia sempre...

anita sereno disse...

oi Daniel o que é bom
nunca se esquece
lindo texto
obrigada por
palavras linda que deixastes no meu blog
uma excelente semana
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_░▒▓█beijos

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, meu querido Daniel!
Beijos muitos!
Bom Dia!

"Para sermos felizes não necessitamos de
uma receita, pois cada um carece
de determinados ingredientes para
preparar o alimento que ajude a saciar
a fome do corpo e a sede da alma!"

@ Valter Montani

+++ Beijos

Pérola disse...

Muito bonito.
Vc narra aventuras de uma forma muito gostosa.
Parabéns.
Abraços meu amigo.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, meu querido! Venho agradecer-lhe e desejar-lhe Boa Noite!

Porque te Amor


Eu te amo porque sim


Eu te amo por não te ver


Porque te sinto em mim


Quando o mar beija a areia


A areia se sente amada


Cada vez que me olhas


Parece que me tocas


Eu me sinto adorada


Queria estar ao teu lado,


Poder olhar-te nos olhos,


Poder chegar ao teu coração,


Mas acima de tudo poder dizer-te,


Baixinho, no teu ouvido:


Querido, eu te amo!


Tu és a minha fonte


Em que vou beber água


Em que mato a sede


Em que os meus desejos


Se transformam em realidade


Em que tudo o que é belo


É consentido


E o que eu sinto


Vivido com intensidade


Eu te amo por seres quem és


Eu te amo por não te ver


Pela chama ardente dos teus olhos


Eu te amo porque te sinto em mim


Simplesmente porque sim

Poema da Renata Cordeiro.

Eu te amo de verdade!
Beijos*****

E o joelho esquerdo fugiu de novo, mas que coisa!
Tem selo pra vc no Douzen.

Everson Russo disse...

Um belissimo dia pra ti amigo,,,abraços fraternos de paz e poesia.