A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

POEMA TERRA À VISTA

NIASSA - foto adquirida a bordo

VERA CRUZ - foto adquirida a bordo

 

TERRA À VISTA

Não viajava procurando conquista
Foram viagens de mobilização militar
 Viagens em que gritei – terra à vista
Essas viagens nada tiveram de salutar
A primeira em Luanda
Em uníssono a gritar
Foi como no meio de um pesadelo
Era madrugada, estava-se a Luanda chegar
A velha carcaça, o misto barco Niassa ardia
O momentoso incidente acontecia ainda no alto mar
Reuniu-se muita gente
A ver garbosos marinheiros, o fogo apagar
Aconteceu em, mil novecentos e sessenta e dois
Os mesmos batalhões regressaram
Vinte e sete meses depois
Todos a esse fim não se guindaram
A guerrilha os tragou, era de prever pois
Em mil novecentos e sessenta e quatro
No paquete Vera Cruz
Muitos ainda, muitos tentado afastar o sonho do mato
À terra de Lisboa chegaram
Terra à vista… terra à vista… terra à vista!...
De novo, em uníssono gritaram
Nenhuma conquista
Porém havia uma razão:
Terra à vista
Respectivamente, doze e onze dias a flutuar
Duas vezes passar a linha do equador
Ver peixes a voar
Nas amuradas a meditar, entre conversas, sobre o futuro
Nenhuma terra, apenas alto mar
Bastante tempo
Apenas o longo mar avistar
Recordações que um deus menor
Deu a faculdade de ainda recordar
Em pesadelo ao apelo
Terra à vista gritar

Daniel Costa


12 comentários:

Desnuda disse...

Querido Daniel,

Gostei do poema e da beleza das ilustrações!

Beijos com carinho e feliz semana.

MARILENE disse...

Essas memórias nem sempre traduzem alegria. Misturam-se nela os mais variados sentimentos. Em seus versos, verdades.

Bjs.

Severa Cabral(escritora) disse...

Meu querido e amado Daniel!
Viajando no seu poema me encontro nos pensamentos de quando era professora de História do Brasil.
Uma missão secreta que os portugueses tinham na época é que eles já sabiam que aqui no Brasil já existia seres humanos habitando.Então eles se desviaram mais um pouco da sua rota para dizer "TERRA A VISTA"
Essa foi uma missão secreta .
explorada pelos portugueses, a nova terra recebeu o nome de Brasil.
E hoje com o sobrenome de Cabral me vejo viajando sempre para Portugal em busca de um amigo que tem como sobrenome Costa.
Só quero resumir esse poema na seguinte história.Que meu nome de solteira era Severa Cabral da Costa.
bjs meu querido para aquecer teu inverno!

Sonhadora disse...

Meu querido amigo

Uma realidade que descreve neste poema...e quantos deles não voltaram, ou voltaram estropiados.
Como sempre os seus poemas são pedaços de vidas.

Beijinhos
Sonhadora

Everson Russo disse...

Belo poema meu amigo...são histórias das batalhas da vida...abraços fraternos de bom dia...

lita duarte disse...

Terra à vista.
Para quem passa longo tempo no mar, isso é um sinal espetacular.

Belo poema, belas imagens.

Bjos.

Everson Russo disse...

Um belo final de semana pra ti meu amigo...abraços fraternos.

Marta disse...

Sempre bom avistar terra depois da ausência...
Ficam as memórias, por vezes amargas, outras bem felizes...
Gostei muito....
Beijos e abraços
Marta

Maria selma disse...

Amigo Daniel,
Um poema que descreve uma realidade...
para quem volta a alegria de ver a terra,o retorno...
Maravilhoso fim de semana,
beijos

Bete M. Silva disse...

Que poema bonito.
Feliz 2012.

Bj.

Everson Russo disse...

Um belos sábado pra ti meu amigo...abraços fraternos.

Bruxinha Chic disse...

Ol'a, Daniel. Vi teus trabalhos no blog do Ch'a da Tarde e super amei. Estou seguindo. Espero que possas tamb'em visitar e seguir o meu. Ficarei muito feliz
http://bruxinha-chic.blogspot.com
Bjsss
Sucesso a todos n'os!