quinta-feira, 5 de março de 2015

POEMA FIM DA PICADA



Foto do meu arquivo - Aqui iam os oito cadáveres em carrada, eu fui elemento nomeado para a escolta, até à povoação de Mucondo, onde os ditos ficaram sepultados. O poema parte de casos reais que vivi na Guerra Colonial (1962 /1964). ESPECIFIDADOS NO MEU LIVRO "AMOR NA GUERRA).

FIM DA PICADA 

Nunca foi debandada
Eu-poeta; destaco
Fim da picada
Duas foram grande buraco
Em guerra declarada
A primeira com fim, no deus Baco
Chuva, em picada inclinada
Era a guerra, que saco!
Outra foi fim de oito, uma carroçada!
Cadáveres em progressão, lento ábaco
Mais chuva na madrugada
Da Guerra Colonial, o opaco
Motivação irada
Tirania de certo signo do zodíaco
Sempre a intensa chuvada,
Clima tropical velhaco
Fim da picada
Horizontes impróprios de piromaníaco,
Fim de oito, fim da picada!

Daniel Costa

 

9 comentários:

Ivone disse...

Meu amigo sensível, embora o poema triste,mas lindo, momentos incríveis que vivestes né meu amigo? Guerras são marcações em nossas almas, ainda bem que sobrevivestes, sei bem de sua história, meu amigo vencedor, lutador e vencedor!
Te quero imensamente bem, deixo abraços apertados com grande admiração por você!

Ana Bailune disse...

Olá, Daniel.
Que triste...

Célia Rangel disse...

São as tristezas que a vida nos proporciona... Depende de nosso astral colori-las de outra maneira...
Abraços.

São disse...

A guerra munca tem sentido , mas esta ainda por cima era totalmente anacrónica

beijinho

Dorli disse...

Desculpa a demora, não estava na cidade.
Cadáveres, carroça, guerra, tudo isso é mesmo o fim da picada.
Obrigada pelo carinho e você sim é
um modelo de homem batalhador, sofredor, vencedor e grande poeta.
Beijos no coração
Lua Singular

Bandys disse...

As guerras sempre são triste.
Bom domingo

beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Daniel! Passando para agradecer a tua visita e teu comentário, assim como me deliciar com a leitura deste teu belo poema, só que um pouco triste.

Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado.

Mariazita disse...

Meu querido Daniel
Talvez, entre os teus comentadores, seja eu quem melhor entende este teu poema, belo mas imensamente triste.
Também eu assisti, não a "carradas" mas a evacuações nos Teco-Teco, e muitas vezes acompanhei os cortejos até ao cemitério.
Tempos terríveis os que vivemos, e que é bom que sobre eles se escreva, para que não caiam no esquecimento.

Gostei muito do teu último comentário, principalmente por recordares essa amiga especial, Ana Diniz, que, lamento, deixou de se comunicar connosco.

Desejo-te uma óptima semana.

Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Tunin disse...

A guerra só nos traz tristeza e dissabores. Seria bom não tê-la, mas os homens...
Abração.