sábado, 29 de janeiro de 2011

POEMA RAIO DE LUZ


RAIO DE LUZ

Não tornemos a vida numa cruz
Amemos o céu as estrelas
Façamos da vida um raio de luz
Amemos as coisas belas
Reparar como vivem felizes
Atentemos no arrulhar delas
As aves, essas criaturas
Interessantes e singelas
Amemos tudo e todo o mundo
Homem ou mulher
Amemos e tornemos um viver fecundo
Amemos sempre um ser
Amar é construir a felicidade
Amar sempre é a magia de viver
Amar sempre, em qualquer idade
Ame-se o mar e o seu ondular
Vamos construir na terra o Céu
Voguemos sempre na onda de amar
O amor é a própria vida
Reparemos nas grandes aventuras
Nas majestosas construções de seguida
Por detrás houve sempre o pensamento
No amor, no amor da vida
O amor saiu sempre triunfante
Os grandes padrões
Que se oferecem à humanidade
As grandes obras do amor foram ocasiões
Devemos por isso amar com magia
Construamos no amor a vida
Amemos todo o universo
Para isso terá sido concebida
Muitos deixaram exemplo no sucesso

Daniel Costa

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

POEMA NO FIRMAMENTO


NO FIRMAMENTO

Naquele momento
Na mesma hora
Vagueava no firmamento
Algo me aconteceu
Avistava o amor
Como se viajasse no sétimo céu
De repente o mundo pareceu bendito
Que júbilo era o meu?
Um contentamento abrangente
Com a simplicidade do que me aconteceu
Com o que vislumbrei de repente
O relógio a marcar a hora no céu
O amor a aportar reluzente
Delirei como um cireneu
O amor apareceu bem saliente
Comigo aconteceu
Não andava nas nuvens
Viajava lá no céu
Vagueava no firmamento
O relógio a marcar a hora
A registar o momento
O amor chegava agora
Avistámos a lua, era noite de luar
A sua luz era intensa
Como intenso era o seu brilhar
O amor era imenso
Nossos pares de olhos a faiscar
Imaginou-se a lua como coisa nossa
Fizemos dela luz para amar

Daniel Costa



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

POEMA CHUVA QUE CAI


CHUVA QUE CAI

O mundo é belo, não sendo chalaça
Olho-o de forma singela
Chove e observo-o por detrás da vidraça
Como um pensador meditando
De mansinho vou vendo a gente que passa
Imagino o mundo amando
A chuva cai, bate na vidraça
Fico cismando como o mundo podia ser belo
Mesmo com a chuva que grassa
Reparo na passagem das gentes
Passam as belas felizes
Assim como muitos que se vê serem carentes
Cada qual a seu modo
Todos com vidas diferentes
Enquanto a chuva cai
Cai na rua e na vidraça
Os meus sentidos vagueiam
E olho quem e como passa
Gente no seu frenesim, no seu vai e vem
Anda no mundo como quem esvoaça
A labuta da decrepitude e da juventude
Que vive e se entrelaça
A chuva cai grossa com fervor
Vem bater na vidraça
Não será um acto de amor
Cogitar sobre quem passa?

Daniel Costa

sábado, 22 de janeiro de 2011

POEMA A MIRAGEM DO AMOR


A MIRAGEM DO AMOR

Foi naquela praia
No Verão passado
Que fui enfeitiçado por uma catraia
Ela me olhou, o meu coração bateu
Havia uma aragem, um odor a maresia
Foi como uma onda, todo o meu ser tremeu
O olhar fixou-se na catraia
Sedento de amar parecia e estava eu
Fui deambulando na praia
O estado era o de um Romeu
Aconteceu um amor de Verão
Mais não deu
Foi um amor fugaz
Ela quis assim
Ao terminar o Verão quis eu ser mais audaz
Um amor para cada estação, moderno assim é ruim
Ela assim o quis
Repetiu que é moderno, ai de mim
Um amor em cada Estação
Uma aragem, uma maresia fresca assim
Soçobrou a paixão
O calor que alimenta o amor
Terminou no dealbar do mesmo Verão
É amor de miragem, não pode ser moderno
Concebo-o de outro modo
Amor eterno

Daniel Costa


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

POEMA MULHER CAFUZA


MULHER CAFUZA

Não é da velha Siracusa
Já se poderá ver nos anais
Do que resultou a etnia cafuza
Resultou da miscigenação
De amores e carinhos, com ardores
Por todo o vasto sertão
Entre negros e Índios esses amores
Formaram uma etnia, uma minoria
De que adviria a mulher, essa flor
A mulher cafuza com a sua beleza
É uma bênção do amor
Uma bênção da natureza
Imagino um mundo como o de Salvador já
O da Brasileira cidade da Bahia
O ilê Axê Opô Afonjá
A religiosidade num terreiro se afia
Religiosidade negra onde
Onde talvez a mulher cafuza se desafia
Recordo o Candomblé
É ver onde a imaginação se enfia
Uma coisa é certa mulher cafuza
Tem a sua beleza mais na Bahia
E noutras regiões onde dominou a mãe Lusa
Maranhão, Pará ou Amapá
Para mim é bonita, tem coração
Como uma oração de lá
Um íntimo de musa
Que acena para cá
Mulher cafuza

Daniel Costa



domingo, 16 de janeiro de 2011

POEMA AMAR NÃO É QUESTIONAR



AMAR NÃO É QUESTIONAR

Amar não é questionar
Ama-se alguém, sabe-se lá porquê
Sabe-se que houve um faiscar
Olhos e coração encontraram-se
Nasceu logo aí a razão para amar
Depois palavras de doçura
Amar não é questionar
É um frémito que para sempre dura
O amor é como uma aura
Devemos estar sempre atentos e à altura
Da dádiva de ter a quem amar
Usemos sempre em conjunto com o amor a brandura
Ser feliz e fazer valer a nossa felicidade
Valer sempre a ternura
Todos os dias, em toda a idade
Amar não é questionar
Quem ama não questiona
Respeitar, para se fazer respeitar
Procura-se sempre ser sublime
No acto de dois corações a amar
Sem hipocrisia
Amar será sempre gostar
Gostar de outrem em qualquer dia
Amar mão é questionar

Daniel Costa

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

POEMA CATEDRAL DO AMOR



CATEDRAL DO AMOR

Tudo terá o seu ritual, a sua regra
Tudo terá a sua catedral
Há assim miríades de catedrais
Dedicadas e tudo com um fim
Por todo o mundo de humanidades reais
Sempre se pensa no mistério das grandes catedrais
Desses grandes templos de fé
Que se foram dilatando pelos novos mundos como normais
Na onda flutuante, a fé seguiu na maré
Antes porém fazia o acto de fé numa das catedrais
É de crer que do amor ficou sempre o lamiré
Como em honra de actos tão transcendentais
Como nasceram as confrarias, mais actos de profana fé
A saborosa comida é tida como acto normal
Enfim, deglutir parecendo um acto trivial, não o é
Uma reunião numa refeição
Um grande feito, é um acto de amor e fé
Terá sempre no pensamento uma humana união
Um amor que existe poderá não estar consumado até
Mais estimula um desejo do coração
É uma forte retaguarda que se sente
Haverá um desejo secreto
Um amor em mente
Um coração sempre irrequieto
Sequioso do amor assumido e irreverente
O íntimo poderá parecer quieto
Porém nunca desmerece, o coração ama e sente

Daniel Costa


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

POEMA PRAIA DE IPANEMA


PRAIA DE IPANEMA


Sonhei com uma ida ao cinema
Aos meus olhos, a principio, a fita era linda
Até o sonho me revelar ser doutro esquema
Desataram a desfilar mulheres bonitas
De repente estava na Praia de Ipanema
Na mais democrata praia carioca
Teria voado até ao Rio a sonhar para ver outra cena?
De no final da tarde vaguear pela praia
Pela Praia de Ipanema
Até quase ao Leblon vi as patricinhas
Vi o grande desfile de corpos bonitos
Das elegantes princesinhas
Depois pisei a calçada à portuguesa
Avistei morros, estava junto às palmeiras rainhas
Via salsas ondas, via um calmo mar
Fiquei como que petrificado
Vendo um lindo pôr-do-sol no horizonte a parecer-me um altar
Na linda Praia de Ipanema
Chamava a atenção o colorido dos guardas sol
Quando fixava uma bonita morena
Os deuses dos sonhos
Deram por terminado o derriço da Praia de Ipanema
Ainda que a sonhar foi belo o feitiço
Fiquei por muito tempo a cismar no teorema

Daniel Costa


sábado, 8 de janeiro de 2011

POEMA AVENAL (reposição)



AVENAL

Desafiado pelo Toino Tchim
Um amigão, afinal
Bastantes dias, vinha, cavei
Na quinta do Avenal
Montados nas bicicletas
Íamos pelo Toxofal
Ali na padaria
Na do Carlos padeiro
Ainda madrugada
Adquiríamos o casqueiro
Da primeira fornada
Tomávamos o “Mata-bicho”
A manhã despontava
De bom vinho
A velha cornada
Dizia o caseiro:
Quem se negue, não é homem
Não é nada!...
A seguir iniciava-se a jornada
O caseiro estimulava
A cada nova rodada:
Quem se negue não é homem
Não é nada!...
Mais vinho servido na canada,
O copo feito de corno de boi
Passara a alvorada.

Daniel Costa

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

POEMA MEU AMOR


MEU AMOR

Em especial amo uma flor
Dos jardins adoro todas as flores
Está como num jardim o meu grande amor
Quando vejo e reparo no andar dela
É como se visse do mundo o esplendor
Esbelta e feliz figura
É assim a finura do meu amor
Parece transportar a alegria
Tudo o que me faz feliz, todo o ardor
Como é bom sentir a felicidade de amar
Sentir a felicidade do amor
Podermos viver
Num mundo sem a sombra do pudor
Viver no regalo de um jardim
Onde reside paixão e calor
Há sempre um regozijo de forte paixão
Quando vejo deambular o meu amor
Não sei definir o que passa por mim
Quando observo a flor,
A mulher no seu andar belo e esbelto assim
O seu olhar sensual e terno
A esbelta figura parece viver
Para que o mundo se me torne eterno
Como amo viver neste mundo de paixão
Neste mundo moderno
Onde pode haver muita ilusão e calor
Só de ver a bondade do teu coração
Obrigado meu amor

Daniel Costa


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

POEMA SOLIDÃO


SOLIDÃO

Não desdenhem da minha opinião
Aquilo a que chamamos a nossa alma
Passa por muitos estados, entre eles a solidão
A solidão, a própria, dá-se quando a pessoa sente um vazio
Falta uma companhia, sente esse vazio com certa razão
Porém o desejo de estar solitário pode assolar
Assolar, em muitos casos o coração
Pode ser desejo e paixão, de amar
Estar com o par mais num acto de pura solidão
Será uma forma de estar
De se fundirem duas almas em pura paixão
Solitário pode não ser o mesmo que desacompanhado
Quantas vezes, se vagueia solitário no seio de uma multidão
Nesse estado se pensa um poema
Um tema que depois é escrito na extrema solidão
Comigo aconteceu estar menos solitário, só
No descampado, rural, que fazendo parte de uma multidão
O facto, é que no meu mundo aprecio muito o amor
Se gosto de períodos de solidão prezo o amor e a união
Este mundo pode parecer complicado
Mas não, podemos sempre equacioná-lo em solidão
Compreendê-lo no seu todo
Compreender que as pessoas devem ser como são
Formando um mundo a merecer
Que apreciemos e amemos todos os humanos então
Somos convidados a fazer parte do mundo
Amemo-lo, ainda que solitários, sempre com paixão

Daniel Costa


domingo, 2 de janeiro de 2011

POEMA CABO CARVOEIRO




CABO CARVOEIRO

Rodei na subida ao outeiro
Quis sentir o cheiro forte da maresia
Ali na ponta do Cabo Carvoeiro
Num dia de Verão para um mundo avistar
Bastantes turistas que ali davam nas vistas
Um mundo novo a explorar
Para a ilha da Berlenga
Mais o ilhéu dos Farilhões avistar
De toda a costa sul de Peniche
Tanta terra, tanto mar
Traineiras com pescadores
Na sua faina pela vida a lutar
E o cabo Carvoeiro tão tranquilo
Enquanto as visitas daquele lugar
Ficam deslumbrados com tudo aquilo
Pronto com as suas luzes e sirenes, que troarão
Para avisar a mudança da natureza, outro altar menos tranquilo
Com mundos de Verão infinitamente bonitos
O sonhar no meio de tanta beleza das mudanças do mar
Quando chegam dias de invernia infinitos
Quem mora em terra perto
Não precisa ser tão perto assim, para ouvir urros esquisitos
Avista a beleza que proporciona a natureza
Valha-nos a Senhora da Boa Viagem ou a dos Aflitos
Ondas de cerca de trinta metros
Batem estrondosamente chegam longe como fossem gritos
A meter respeito a avós, filhos e netos
Sem mácula de pecado, não há engano
Bate o mar nas rochas que circundam o cabo Carvoeiro
Ao longo de milhões de anos foram-se moldando
De formas interessantes, felizes num belo desconchavo
Sempre serenas, como um novo mundo amando

Daniel Costa