quinta-feira, 30 de junho de 2011

POEMA NINGUÉM


POEMA NINGUÉM

Não se desdenhe de quem se julga alguém
Ouvir e fazer uso do espírito crítico de benevolência
Em virtude de sabermos não sermos ninguém
Fazer que o mundo não avance sem nós é ciência
Quanto mais este avança
Mais sobressai a carência
Ainda que havendo milhões a lutar
A lutar com decência
Estão sempre a aparecer paspalhões
Postados sem nada fazer, nada valer
Parecem algo como de um universo de burlões
De um suposto mundo
De um ignorado mundo de milhões
A gritar bem alto aqui estou eu!... Sou alguém
Há atrasados mentais a quem dá jeito acreditar
No “sobrenatural”, eu: ninguém
O seguem-no como se viera de um cometa
Pouco lhes importa o desdém
Se podem nada fazer!...
Senão esperar a sua vez de dizer: sou alguém!
Quem sabe tudo, somos nós todos
Faço parte da engrenagem do mundo de aquém
Apenas o que julgo saber
Julgo saber bem que viajo na esfera do além
Enquanto acredito e medito
Sou ninguém!...
Ninguém!...
Ninguém!...

Daniel costa

terça-feira, 28 de junho de 2011

POEMA RECORDAÇÃO



RECORDAÇÃO

Vou contar um segredo
Sentia frémito, suave vibração
Quando fui guardador de patos
Com a manada ia para o Val Medo
Ninhadas do tipo marrecos *
A mãe sempre criava
Em procura no ciclo da carôcha **
Do guardador porfiava
Na imensidão do campo
Guardar agradava
O mar em frente
No princípio do Verão
Os patos deglutiam o molusco
Com sofreguidão
O pastor olhava patos e vastidão
Podia entregar-se às nostalgias
Muito comuns então
Sonhava com outro mundo
O eterno desconhecido
Seria melhor de antemão
Aquele não o sentia cruel, não
Seria como um universo de papel
Ali andavam os patos
Não se cansavam
Sempre direitinhos
Engordavam como calmos gaiatos
Pareciam gostar da gamela
Muito juntinhos
Não precisavam de trela
Até que valiam vinte paus
Comprava-os o regateiro ***
O que, na sua carroça
Aparecia primeiro
O guardador ainda criança
Saberia ser feliz…
Agora, talvez um bom petiz!...

Daniel Costa

NOTAS:
* Raça de patos comuns
** Chama-se assim à caracoleta no concelho de Peniche
*** Corresponderia ao almocreve

COMO ESTOU SOLIDÁRIO, PELA AMIZADE, DA GRANDE POETISA, FÁTIMA GUERRA, CONFORME O MOVIMENTO QUE SE GEROU, PELA SUA SAÚDE, FICA LINK DA SUA EXELENTE POESIA. ABRA POR FAVOR, VALE A PENA
http://fatimaguerra-melliss.blogspot.com/

sábado, 25 de junho de 2011

POEMA PUNTA DEL LESTE


                                                                                                                     




PUNTA DEL LESTE



No pequeno Uruguay
Punta del Leste não mais esquece
A quem àquele Éden sul-americano vai
Um paraíso humano de prazer que enlouquece
Ali na bacia do Atlântico Sul
Estuário del Rio de la Plata
Quilómetros de costa de mar sossegado e azul
Como se fora perfil de pedra preciosa de ágata
Punta del Leste sendo no Uruguay, no hemisfério sul
Repare-se, mais uma vez o nome… amizade nata
No nome da flor, Maria Celina Feitas
Depois podemos saber que nesta data
Mais de oitenta por cento ascende de europeus
Que não farão ideia que a segunda economia
Da América do Sul terá genes seus
Punta del Leste é preferência de veraneantes
Sobretudo de brasileiros e argentinos, ignorada por europeus
Definitivamente rumou, a reunir-se à bonita família
A artista musicóloga Maria Celina ali foi juntar-se aos seus
Ao seu grupo familiar de actividade cristalina
Da Rivera, cidade da paz, terá ficado saudade no bonito olhar
Que a torna menina
Fazendo da garridice o seu patamar
Junta com os seus
Sente-se que Maria Celina está feliz naquele altar
À grande amiga, englobando família
Que é de natureza feliz, que continue devo desejar
Muita recreação musical no seu piano
Intercalada de amor e mergulhos naquele mar
De Punta del Leste
Paraíso de encantar


Daniel Costa


http://www.youtube.com/watch?v=10cnuLXoHO4

Ofereço a visualização do video de Dulce Pontes, a todos os visitantes, em especial a 
 Maria Celina.
 
COMO ESTOU SOLIDÁRIO, PELA AMIZADE, DA GRANDE POETISA, FÁTIMA GUERRA, CONFORME O MOVIMENTO QUE SE GEROU,  PELA SUA SAÚDE, FICA LINK DA SUA EXELENTE POESIA. ABRA POR FAVOR, VALE A PENA LER!


http://fatimaguerra-melliss.blogspot.com/



quarta-feira, 22 de junho de 2011

POEMA SENHOR MARCIANO


SENHOR MARCIANO

Sem retaliação ou dano
Desembarcou agora
Senhor marciano
Não imponha a guerra das estrelas
Não traga mais dano
Mas prepare um canto na sua galáxia
O mundo do desengano
Para encaminhar o mundo dos corruptos
Onde se possa abrir trincheiras
Que se crie “calor” siberiano
Mafarricos a vigiar, sem a tentação de fogueiras
Despojados de tudo
Despojados das suas prejudiciais asneiras
Apenas a usufruir um mínimo nacional
A aprender boas maneiras
Deixe pensamentos à douta justiça
Para que esta não se atenha a furos
Seja cega como convém, nunca de cortiça
Como se pode ver por esse mundo além
Fazer cumprir a verdade é a sua premissa
Seja fiel ao povo que a paga
Este bem apela aos deuses
Eles são muitos e a gosto andam na sua saga
Muitos corruptos também
Podem saber fingir que sim
Porém, cuidam deles e mais ninguém
Veja senhor marciano
Repare bem no pequeno mundo por aí além
Um pobre mundo de engano
Seja alguém a inspirar os novos senhores
Os deuses que deviam ser verdadeiros
Parecem adormecidos de amores
Deixaram passar mentiras e mediocridades
Dos velhos senhores
Senhor marciano
Deixe a esperança a confortar com novos amores

Daniel Cosra

MUITO A PROPÓSITO, A MAIOR CANTORA PORTUGUESA DA ACTUALIDADE, DULCE PONTES, CANTA AMOR A PORTUGAL, ABRE O LINK, VALE A PENA.

domingo, 19 de junho de 2011

POEMA MARCIA




                                        
POEMA MARCIA



Uma mulher passa
O que lhe vai na alma e no coração?
Embora possa parecer alguém que esvoaça
Será uma mulher de expressão sincera
Como vislumbro ser Marcia
Bonita, sensual atraente
Apresentando a sua graça
Na praia de Niteroi com o mar em frente
Marcia Morais sagitariana
A praia,  o mar e uma mulher reluzente
Meti conversa com a elegante mulher
Deduzi ser também de íntimo atraente
Fascinou-me o seu sentido de humanidade
Com certa dose de optimismo encara a vida de frente
Com beleza e suavidade para Marcia
Dedicar-se à família é premente
Também outros mundos a atraem
Escrever bonita poesia enternecedora e comovente
Não será de outra galáxia
Mas é fascinante realmente
Sentir a amizade de Márcia Morais
Pelo seu íntimo humano
Atrai… Atrai demais
Será o modo de esquecer o mundo inumano
Um mundo que, no seu todo, devia ser atraente e belo
Tem um grande facial insano
A Marcia luta com denodo
Na beleza da praia de Niteroi não Ipanema
Um refugio onde a bela Marcia
Irá equacionar o seu poema, o seu teorema


Daniel Costa



sexta-feira, 17 de junho de 2011

POEMA AVENTURA




AVENTURA


A vida é aventura
É-o mesmo que seja
Extremamente dura
A minha se bem contada
Faria chorar
As pedrinhas da calçada
Quiçá o átomo
Mas que nada
Olhemos com optimismo
A sempre fiel amada
Esquecer, não resulta
Equacionar tormentos, sem fim
Resultaria muito ruim
Falo das boas recordações
Dirão muitos:
Mundos de ilusões!...
Faar só em jeito de aventura
Da vida, é atitude segura
Pressupõe optimismo de puritano
Brinquedos, digo em segredo
Só os que fabriquei – aventura!...
Hortas e árvores
As que semeei e plantei
De cereal, confesso que sei
Em enologia total trabalhei
Por fim de sol a sol
Ceifando a jorna ganhei
Tentar perseguir
Alguém ainda cavador
Devia ser vergonha
Dos prepotentes senhores
No Circulo de Leitores
Mais audácia e arrogância
Deveriam ter quando expulsos
Prepotentes, que podiam fazer?
Trabalhassem com lisura
Muito tinham de aprender
Deveriam ter sido subservientes!...
Jamais necessitaria de dizer sim
A prepotentes
Nada de hombridade
Criaram ambientes
Pior que masmorras da PIDE
Devem!…
Nunca responderam porquês
Podem, continuar a ser prepotentes!
Oh Zeus!...
Mais uma aventura adeus
Sei trabalhar, Há mais a fazer
Outra aventura
Encontrarei outros ateus!।


Daniel Costa

DEIXO LINK DE UM BONITO FADO - CANÇÃO, NA VOZ DA MIHA AMIGA CONCEIÇÃO FREITAS, NASCIDA NA PRNCESA DO ATLÂNTICO - ILHA DA MADEIRA, A ACTUAR REGLARMENTE EM SÃO PAULO, VALE A PENA OUVIR UMA DAS MELORES CANÇÕES PORTUGRAS DA ACTUALIDADE, QUE INTERPRETA MAGISTRALMENTE:

Este selinho eu recebi da Ma Ferreira, administradora do encantadorhttp://mdfbf.blogspot.com/2011/06/perfeitoimperfeito.html#comments
Passei a acompanhar o seu blog, estimulante para mim
O recebimento do Prêmio Sunshine Award
segue umas regrinhas e dentre elas a difícil tarefa de
indicar apenas 12 blogs. essa será a parte mais dificil porquanto
amigos para receber o prémio é estar tudo cumprido.
Mas, vamos à regra do prémio,
Segue a lista dos selecionados:







 07- http://avesemasas.blogspot.com/ - ANA MARTINS






EMBORA TODOS OS AMIGOS ME MEREÇAM ESTIVA, DESIBEI ESTES
 D. C.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

POEMA MEU OESTE NATAL



MEU OESTE NATAL

Foram vinte anos, os que vivi
Naquela casa construída
Em mil nove trinta e quatro
Mesmo quarto em que nasci
Foi-me me agora designado, por dias,
Adorei!... Dele parti
Rumo ao Bombarral
Visitar, numa escola, um irmão
Desci ao casal do Urmal
Confraternizei com o enciclopédico
Velho amigo António Elias
Recordámos! Não fez mal
Um outro dia!... Peniche
Sempre observando a cidade
A velha ilha de pescadores, por sinal
Cabo Carvoeiro
Mais a Escada de Pilatos
Descendo ao mar, por entre pedraria
Trabalhada pelas marés
Defronta, o rugido do mar afinal
Numa admirável demonstração
Insana do trabalho da natureza
Requer um olhar de admiração,
Sem leveza
E a Nau dos Corvos?
Do mesmo nome ali está
Na ponta do Cabo o restaurante
Encimado do inesquecível mirante!...
Frente à Berlenga
Visão de outro mundo
Imenso Éden, figurino de beleza
Proporciona, a mãe natureza
Sempre pela marginal
Passei pelo Baleal
De novo, o avistar dum mundo
Parecia irreal
A Berlenga de novo, ali à mão
Alguém disse: a ilha parece perto
Temos chuva por certo!
À noite muito trovejou
Seguiu-se uma bátega de água
Não, é realmente profecia
A marcação dos tempos
Mentalmente, funcionando
Na varanda da minha lisboeta casa
Quer seja noite, ou dia.

Daniel Costa

sábado, 11 de junho de 2011

POEMA CRISE NA FINANÇA

executivo

CRISE NA FINANÇA
                                                                   
                           Do mal parece aliança                          
   Sempre assusta a crise
A crise da finança
                                                      Parece não haverá dinheiro
Se algum se tem, deposita-se com confiança
Entra-se no banco, empresta-se
De esperar juros fica a lembrança
Dizem-lhe que deposita
Agora chegou a escassez da finança
A quem convém
Mais uma a quem tirar esperança
Dizem as culpas serem de todos
Como? Se quem depositou teve confiança
Só porque muitos ficam sem dinheiro
Há lamentações, quiça desilusões
A culpa é de alguém, não será do "Primeiro"
Coitado!...
Quem comanda é o financeiro
Tomar medidas para quê
Ele subirá a outro poleiro
Se menos, se deposita
Comanda a malvada
Ainda se paga, à banca, dita
Paga a gestores pantomineiros
Dizem: o patrão ganhou
Distribui somas avultadas de dinheiros
Nada fazem
Recebem avultados lucros, torna-os banqueiros
Mais o Zé é enganado
Criam-se novos poleiros
Exigem pagar a mais senhores gestores
Afluem dinheiros
Sabem explorar os aforradores
Quais mineiros
Cuidam do deles
Gerem bem os seus dinheiros
Na mão uns papéis, uma ilusão
Há crise? Deu o dele
Pode pagar em primeira mão
Vai ele subir a outro poleiro
O pobre esgravata
Onde haja outro dinheiro
Não se lembrou do colchão
De atalaia estava o banqueiro
Tudo dava certo, ali à mão
Isento de culpas, com novo dinheiro
Assina na atrapalhação
Hossana ao nosso "Primeiro"!...

Daniel Costa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

POEMA NAMBUANGONGO


IGREJA DE NAMBUANGONGO


FOTOS DO MEU ARQUIVO, O SOLDADO SENTADO
CHAMA-SE DANIEL COSTA

NAMBUANGONGO

Ir a Nambuangongo era como ir à cidade
Nos idos de sessenta e dois e tenra idade
Pela UPA era considerado um reino
Que entretanto, pelo lendário Maçanita
Havia sido retomado, com astúcia e treino
Delimitado pelo rio Lifune,
Por guerrilheiros, pontes destruídas
Tentando cortar avanços, à tropa determinada
A Muxaluando passava uma picada
Entre Vista Alegre e o Lifune, a sua ponte
Ali estava, com a tentativa destruidora ficava
Em Vista Alegre de boas recordações
Tropa de Maçanita, teve ordens, avançava
Depois Nambuangongo retomava
Em Nambuangongo a gente ri depois
Enquanto nas cantinas, se bebericavam
Cucas, em grupos de talvez dez, mais dois
Novidades flutuavam, uma em que os "turras"
Atacaram, furavam tachos
Em Portugal, seriam nurras
Digamos, que pela primeira vez
Um tal, com apodo de Totobola comandava
Ufano da avioneta vociferava
Amigos: mulheres bastantes tinha, até desprezei
Em corridas de automóveis participei
Aqui do alto, as minhas tropas comandarei
Um outro, Tenente-Coronel, fazia espectáculo
Como bobo de qualquer rei
Todas a manhãs fazia preparação física
O risível método consistia em rebolar no chão
Munido de pistola aos tirinhos, seria tisica?
Entre acampamentos, onde havia protecção
Sempre bizarrias de superiores oficiais
Eram horas de liberdade rir e dizer
Olhem os exemplos: vejam os tais!
Em Nambuangongo
Rir inocentemente, não era demais

Daniel Costa


segunda-feira, 6 de junho de 2011

POEMA MA CERAMISTA



POEMA MA CERAMISTA

A arte pode traduzir alegria
É essa que observo em Ma Ferreira
Uma mulher alegre feliz sem euforia
Natural de quem é feliz como Ma Ceramista
Vive na felicidade todo o santo dia
Sente-se a amizade e a felicidade à sua volta
O seu mundo da pedagogia e da arte
Do apoio familiar se sentirá envolta
É assim que Ma Ceramista desenvolverá a sua arte
Arte de cerâmica deveras fina diversificada
Podia ser noutra parte
Porém é em São Paulo
Que com perfeição e fino labor
Vai criando um mundo de regalo
Já pensaram coleccionadores ceramistas
Criar um diversificado mundo de fino amor
Seguindo estas pistas
Ma Ceramista dedica-se também à meditação
O que levará depois a trabalhar
A estudar a peça que tem em mão com invulgar atenção
Sempre sai um primor, direi amor
O artefacto de decoração
Que pode decorar qualquer superfície
A alegrar o coração
Sabendo sonhar um bonito arranjo de unicidade
As peças artesanais imaginadas com emoção
Emoção, que terá retorno
A vivacidade, a alegria
Será o contorno
Desejo enaltecer Ma Ferreira
Com o mesmo jeito prazenteiro
De tempera, em si, reluzente
Seu imaginar é um luzeiro
Assim é Ma Ceramista
Uma pedagoga
Com a felicidade de artista

Daniel Costa


sexta-feira, 3 de junho de 2011

POEMA CONCHINHAS



AS CONCHINHAS

Ainda não havia chegado a televisão
Jogos e computadores, evidentemente não
Jogava-se a concha, o berlinde, o pião
Improvisado aparecia o jogo da semana
Com oito casas, riscava-se no chão
Os batos feitos de pedaços de caco
Arredondados na cantaria do vão
Jogava-se, para apurar o campeão
Era a vida, a da pequenada, a da ilusão
Para jogos não havia inventos, havia tempos
A professora dizia as fúrias, conforme os ventos
Todos tinham, para jogar, seus instrumentos,
Verdadeiros tesouros de inventos
Escasseavam nos bolsos as conchinhas
A jogar numa nóquinha, como se dizia então
Davam à costa e abundavam na Praia da Consolação
Acabadas as aulas, estava a começar o Verão
Tudo se muniu e a professora lá levou o pelotão
Cada qual apanhava o seu tesouro, o seu quinhão
Tudo mudou, já não há conchinhas
Pena, porque estavam ali uns diamantes
A preencher os bornais das ilusões de então
Do jogo das conchinhas poucos se lembrarão
Mas lá está o extenso areal
Qual cosmopolita Copacabana de Portugal
Representando a Praia da Consolação
Ligando a da cidade de Peniche medieval

Daniel Costa