terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POEMA ORA FAVAS!


ORA FAVAS!

“No tempo da fava
a mãe não faz nada
no tempo da ervilha
nem a mãe nem a filha”

Vai á fava, vai à malva
O aforismo fazia sentido
No século passado, vai à fava!
Na Primavera era de menu diário
Se descascavam e a mãe as cozinhava
Saca cheia, saca vazia
Em grande extensão se criava
Diariamente grande taxada se cozia
Com chicharro seco, regadas a azeite
Era deleite, se comia
Comida de plebeu
Manjar de rico parecia
O faval todos dias ficava devastado
Ao outro dia
Aparecia renovado
Saca cheia, saca vazia
Ficavam sobras, para secar no eirado
Aconteceu num belo dia
Da mãe era acompanhado
Teria nove anos apenas, cegar as costaneiras
Me divertia, naquele dia a parecer aziago
A foice uma canela perfurou
As costaneiras para cozer o pão serviam
O sangue jorrou
Tranquila a mãe não se desmanchou
Com um pedaço de casca da seca fava o estancou
Fixando ali o pedaço da casca
Que só caiu quando o buraco sarou
Terminou aí a saga
Verdade seja dita
Aprender quando se vai à fava!

Daniel Costa

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POEMA A PITONISA



A PITONISA

Longe talvez de ser à guisa
Na imaginação voei no tempo
Regredi ao da pitonisa
A do oráculo de Delfos
De quem falaram antigos sábios e escritores
Como Platão, Heródoto, Plutarco, Xenófonte
Não mencionando outros grandes senhores
De quem se bebe cultura como água numa fonte
Era visitada, por quem a cumulava de louvores
Que ela me cicerone para que conte!
No seu santuário e oráculo
Era muito amada por visionar largo horizonte
Sempre consultada sem qualquer obstáculo
Seria como que a deusa da saberia
Também ela viajou no tempo vernáculo
Terá acontecido um dia
Terá viajado até à praia da Aldeia do Meco
Nas suas arribas de argila, mexia
Dali avistava a grande extensão de areal, de praia
O vento nem bulia
Num coração desenhado na areia reparou de atalaia
Tinha letras, cujos caracteres lia
… Continua no ar, teria sonhado a catraia?
Então olhou para outro lado
De repente passou a avistar já outra praia
Parecia, uma melodia, um fado
A argila, além da falésia, na praia vislumbrava
Não somente o coração estava grafado
Coisas da pitonisa bem fadada!
Oh imaginação de loucura!
A pitonisa no tempo e no espaço viajara

Daniel Costa

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

POEMA CINDERELA





CINDERELA



O príncipe suspirava por ela
Chegara a altura de querer amar
Mesmo que fosse uma cinderela
Enfim, sonho de príncipe!
De repente pensou – Oh Zeus!
Há baile de máscaras, sou eu a abrir
A representar o reino perante os plebeus
Na hora marcada
Com a carruagem apareceram os criados seus
Sempre firmes, sem debandada
Seus pagens o acompanharam
A convidar à cortesia que lhe era devida, logo na entrada
Todos os súbditos mascados
Entre eles uma donzela linda, ninguém diria fazer de criada
Encantado, com ela, do baile fez a abertura
Com ela seguiu dançado, ela tinha hora marcada
Ninguém do mundo, do universo
Poderia saber, estar sob os favores de uma fada
Para não sair a hora diversa
Saiu depressa, afogueada
Do seu palanque, o príncipe já por ela apaixonado
Porém esta desapareceu, ficou nada
Ordenou à sua criadagem que a seguissem
Mas fê-la desaparecer uma fada
Sua personagem, sua alteza
Sentiu ser notícia amargurada
Eis que um pagem, um sapatinho de fino vidro
Encontrara, era madrugada
O príncipe adregou uma réstia de felicidade
Esta parecia encomendada
O sapatinho despertou-o
Serenou a sua mente encantada
Faria experimenta-lo em todas donzelas da cidade
Enviou seus mensageiros logo na alvorada
Depressa a encontraram
Talvez guiados também pela mesma fada
Foi numa casa, com três filhas
O sapatinho a nenhuma servia, a mãe ficou irada
O elegante sapatinho
A insistência dos mensageiros, serviu na enteada
Na cinderela em que a transformara
A cinderela que o príncipe encantara


Daniel Costa

sábado, 18 de fevereiro de 2012

POEMA AMOR DESCABELADO

AMOR DESCABELADO

Quiçá amor desejado
Algures noutra galáxia
Sonhei com um amor descabelado
Longe de sentir como falácia
Senti-me atordoado
O amor que senti seria de diferente galáxia?
Seria desejo, o amor descabelado?
O amor era de beleza
No sonho parecia um amor prendado
Seria desejo?
Desejo de ser beijado
Amar um ser de outro mundo seria desejo de ensejo?
Seria amor prendado?
Naquele sonho de desejo
Amor descabelado
À antiga, tentei roubar um beijo
Num misto de homem e ser alado
Seria arroubo de poeta?
De sentir amor abrilhantado
Noutra galáxia, num mundo de outro planeta
Amor descabelado
De outra galáxia
Amor multifacetado
Quando o sonho findou
Ficou o amor, a ideia de um ser amado
O coração saltou, a mente imaginou
Um bonito amor descabelado

Daniel Costa


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

POEMA FADA DA FANTASIA







A FADA DA FANTASIA

De espírito sempre a voar vivia
A vetusta fada imaginava
A fada da fantasia
Fantasiava e voava
Até que um dia
A idade pesava
Em depoimentos se desfazia
Recado apresentava
O mundo ouvia
Ela a representar convidava
O mundo saber queria
De um querer que amava
Amava a sua fantasia
Menina enlevada
Sempre fazia o que queria
Sendo fada foi amada
Quando imaginava, fugia
Fada de alma pirada!
Refugiava-se na sua fantasia
Sempre amava
Aconteceu um dia
Já não se sentia admirada
Pareceu-lhe que envelhecia
 Fada desvairada
Desde então se condoía
Fada pirada
Rodopiava e gemia
Já não sentia jeito para a vida animada
De outro dia
Fada do amor viciada
Fada da fantasia

Daniel Costa


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

POEMA ANJO AZUL



ANJO AZUL

Do Tejo fica a sul
O grande amor
Como um anjo azul
No estuário passar é desejo
Ver aquele anjo
Soltar a amarra com um longo beijo
A amarra do barco cacilheiro
Estar em sintonia perfeita
Parfeita sintonia com o seu timoneiro
Anjo azul
Te acolho com desvelo de primeiro
Ainda que o teu sul
Seja longínquo, serei parceiro
A vida inteira
Mesmo que seja terceiro
Te consagrarei minha loucura
Sem igual parceiro
Pode ser amor de brandura
Amar não é pecado
Porque não sentimento de felicidade?
Desejada por alguém
Em qualquer, em qualquer idade
Anjo Azul
Anjo de amor correspondido
Numa cidade de qualquer quadrante e a sul
Onde paire um bonito amor
Um anjo azul reluzente
A embevecer o próprio sol
Amor transparente
Anjo azul
Acompanha-o com a tua auréola fluorescente
Mesmo que sejas mensageiro do sul
Repara amor
Como é belo o anjo azul

Daniel Costa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

POEMA DOSE DE LOUCURA


DOSE DE LOUCURA

Será a humana brandura?
Que me importo pensem que tenho uma dose,
Uma dose de loucura
Serei capaz de a erguer
Numa noite escura
Como um facho a arder
Por uma causa das que a sociedade não atura
Quem a brandir terá de temer, fazer-nos tremer
Se nos pedem com um misto de humidade e secura
Nossa mão, deveriam lamber
Ser capazmente íntegros, para não semearem a agrura
Pensem um mundo, usando uma dose,
Uma dose de loucura
Não valem vigílias
É preciso semear em tempos de amargura
Para o conseguir não servem chás de tílias
Que a tocha fique incandesce na noite escura
Criar espírito de união
A iluminar caminhos
Para que todo o mundo fique a flutuar em comunhão
Que os grandes senhores
Tenham espírito de missão
Que evitem nefastos esplendores
E procurem a necessária preparação
Para semearem amores
Devem ao povo essa atenção
Amem sempre senhores
Paguem tributos de menção
Para que termine a agrura
Que todos, sem excepção!
Ergam um facho a arder na noite escura
Utilizemos, em união,
Cada qual uma dose de loucura

Daniel Costa


sábado, 4 de fevereiro de 2012

POEMA EVOCAÇÃO DO INHAME



EVOCAÇÃO DO INHAME

Não és tubérculo de planta endémica
Inhame… Inhame… Inhame!
Na alimentação és tradicionalmente, sistémica
No sudoeste do Brasil, diria do seu nordestino
Da sua alimentação és tradição
Cumpres um sistemático destino
Porém existes em variadas partes do globo
De variedades és como destino
Cerca de cento e cinquenta variedades
Empregas muita gente no teu cultivo
És base de alimento nas várias idades
Abundas em regiões tropicais ou subtropicais
Serves também de base alimentar em cidades
A tua estrutura pode ver-se ao cimo da terra
Escorada em trepadeiras
Que fazes questão de pôr na berra
Sendo tubérculo muito nutritivo
Dispensas de muitos cuidados, ainda que na serra
És planta modesta, inhame
Contigo as ervas daninhas competem, em guerra
Inhame… Inhame… Inhame!
A beleza do teu verde está um pouco por toda a parte
Nos Açores - Europa, Américas, até no Suriname
Na Ásia, na África, na Oceânia, és planta dessa arte
Assumes algumas designações
O teu nome cientificado é Dioscorea – Deoscorease
Designações, conforme as tuas regiões
O teu tubérculo é cozinhado, depois descascado
De carnes acompanhado até nos africanos Bantustões
Inhame… Inhame… Inhame!
Eu te invoco, procurando não criar confusões

Daniel Costa


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POEMA A COR DA FELICIDADE



A COR DA FELICIDADE

Procurada, sabemos não ter idade
Sua cor, embora suspirada não existirá
Esse dom, esse bem que é sentir a felicidade
É cristalina, incolor como a água pura que há
A de rios ou fontes, nem sempre a da cidade
A felicidade mora perto, dentro de nós quiçá
Nunca está longe, nem na comunidade
Se queremos atribuir-lhe sabor
Então procuremos na areia duma praia
Se olharmos com pundonor
Como desafio, não encontraremos cambraia
Símbolos de felicidade de amor
Simples corações que se desenham na areia
Falta gritar bem alto com fervor
Fica-se como que enleado na teia
Para dizer EU AMO! Meu anjo senhor
Não procuremos a felicidade como quem a granjeia
Ela está perto, dentro de nós, é penhor
Nunca a encontraremos longe
Podemos sempre exibi-la, atraindo o amor
A cor da felicidade é coisa inexistente
Ela, para ser pura, é incolor
Nasceu para nunca ter idade
Faz parte deste mundo do amor
Eis o que será a simples cor da felicidade
Felicidade com sabor
 A cor da felicidade!
Felicidade do amor
 
Daniel Costa