A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

quarta-feira, 1 de abril de 2009

poema

ABRIL

Começa com o “dia das mentiras”
Assim, é um dia popular
Nada de safiras
No fundo um dia singular
Em “Abril águas mil”
É do vulgo popular
Mil novecentos e sessenta e quatro
Todo o santo dia chuviscou
Recordo esse desiderato
Chegava a Alcântara
Com extremo aparato
O navio Vera Cruz
Chuva miudinha
Uma desumana espera
Os senhores Generais
Tratavam milhares de homens
Como se fossem bandos de pardais
A espera para desfiles pressupunha
Quererem falar a animais,
Chuva miudinha caía
Sacos de comida individuais
Farda inadequada, não só para a madrugada
A rouquidão ameaçava
O Comboio de Chelas a postos
A Estremoz ainda nos levava
“Abril águas mil”, diz o ditado
Em Sessenta e quatro
Cumpriu-se o fado
Açafatas distribuíam flores
A qualquer casal estrangeiro chegado
Andavam muitos admirando
Na subida do velho Chiado
Com flores eram contemplados
O "Avril au Portugal" tinha chegado
Ninguém saberia
A casa de Garrett
O Teatro Nacional arderia
Em “Abril águas mil”
A democracia orgânica, o que seria?
Talvez a propaganda dos zeros
Em Abril com cravos acabaria!

Daniel Costa
FAZ HOJE 45 ANOS NO MEU DIÁRIO ESCREVI ASSIM:
Dia um de Abril de mil novecentos e sessenta e quatro, é cedo e estamos prestes atracar em Alcântara, os meus camaradas assim como eu com a ansiedade de chegar a Lisboa nem dormimos. Oito horas, começámos a desembarcar sob as vistas de gente cheia de ansiedade aguardando o momento de abraçar os seus entes.
Uma da tarde desfilámos perante o Sr. General, debaixo de chuva, depois seguimos de comboio para Estremoz. Chegados às seis da tarde, fomos recebidos pela população com entusiasmo, seguiu-se o jantar no quartel e a entrega do fardamento. (SIC).

Daniel Cordeiro Costa

14 comentários:

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Amigo pode ser de onde for
Mas se existir amizade
Sempre se lembrará de nós
Amigo pode estar do outro lado do oceano
Mas se o é de verdade
Sempre nos manda um abraço
Amigo pode estar em dificuldade
Mas sempre tem uma palavra amiga para nós
Amigo é aquele que te limpa a lágrima
Não o que faz com que ela caía
Sempre que precises de mim meu amigo ou amiga
Estarei por perto lembra-te
E eu terei junto de teu coração

Um abraço do amigo Eduardo Poisl

xistosa - (josé torres) disse...

Então há 45 anos foi o dia da verdade.
Nem sempre há mentiras ... ou tudo são mentiras ... mas a verdade acaba por surgir.

Eu só cheguei 8 anos depois ...

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Mais um episódio histórico e autobiográfico de que tanto gosto, Daniel. Os seus poemas me cativam, continue a publicá-los.
Ontem, pus um recado de que há duas postagens no Feminina. Dá um pulinho lá.
Beijos e bom dia,
Renata

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO DANIEL, VERDADE OU MENTIRA... ESTÁ AQUI UM BELO POEMA... ADOREI AMIGO...ABRAÇOS DE CARINHO E TERNURA...
FERNANDINHA

Olhos de mel disse...

Oie lindo, páginas de uma história, que pode conter mentiras, mas de fato, real. E com ela fez uma bela prosa poética!
Beijos

Desnuda disse...

Belo poema e uma verdade vivenciada e lembrada!


Beijos querido amigo.

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Daniel.

Lindo poema que se inicia no dia da mentira e termina com uma lembrança verdadeira, real.

BOA NOITE PARA VOCÊ

♥.·:*¨¨*:·.♥ Beijos mil! :-) ♥.·:*¨¨*:·.♥


http://brincandocomarte.blogspot.com/

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Val Du disse...

Oi, Daniel.
Quanta coisa já viveste!

Beijos

jo ra tone disse...

Daniel,
Tudo gravado em livro que um dia passou poesia.
Assim é viver duas vezes.
Abraço

Ana Martins disse...

Caro Daniel,
Recordações... é bom recordar, mas há delas que ainda hoje revoltam!

Achei engraçado falar no navio Vera Cruz, o meu pai também viajou nele para Angola.

Beijinhos e bom fim de semana,
Ana Martins

Sonia Schmorantz disse...

Abril parecer ser sempre um mês especial, mas não saberia te dizer o porque, talvez porque grandes fatos aconteçam sempre neste mês, que começa mesmo pelo dia da mentira...
Um abraço e lindo final de semana!

Marta Vasil disse...

Daniel

Há poemas irreais de beleza rara e outros há bem reais de beleza não mesmo rara. Encanta-me a forma como o Daniel consegue "poetar" excertos da sua vida. Este é um dos que vale a pena ler mais do que uma vez.

Um abraço

MV

Menina do Rio disse...

É assim que se constrói a história!

te deixo um beijo Daniel

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Daniel:
Como amanhã é meu último dia aqui, preparei um café da manhã natural para o domingo no FEMININA e você é meu convidado especial.
Um beijo,
Renata