A MINHA POESIA - A MINHA VIDA

terça-feira, 28 de julho de 2009

Poema



VINDIMA

Moita dos Ferreiros
Certa noite atravessei, numa Caminhada
Rumo ao Casal Torneiro
Dirigia-me a uma vindimada
Ali perto do Bombarral
Mantimentos iam no bornal
O patrão Chico Bento
Encarregara de arranjar o grupo
O Américo do Casal
Quinze dias, o desterro
Que soou a liberdade celestial
Dormir na palha era banal
Sustento, batatas cozidas
Chicharro seco e Sardinhada
Sardinha prateada, como se fora para banquete
Aparecia na madrugada
Consistia, em cortar uva, a jornada
De formosa ramada
Cada cesto de pau, quando cheio
Encosta acima a despejar na tina
Para o lagar era transportada
Dezasseis anos, da vida sabia nada
Ouvia historietas, ao som de sorrisos
Fixei uma bastante engraçada
Caso de infidelidade
Vi, dizia o homem:
Foi mesmo de pé, mulher danada
Retorquia esta:
Não gostaste de estar na taberna encantada?
Cesto vazio, cesto cheio
Encosta acima
Vindima terminada
Vinte e dois mil e quinhentos por jornada
O rapaz, se também merecia, os levava
A terminar, uma ceia de adiafa
Festa com bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
O forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo encetou a abalada.

Daniel Costa

13 comentários:

Conversa Inútil de Roderick disse...

E a menina lindona, quem é?

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Boa tarde, meu amigo!
Só vc mesmo para me fazer vir até o PC e comentar! Como gostei do Poema: sardinhada, bacalhau, batatas, Meu Deus, como me lembra minha estada no adorado Portugal! E vc já passou por tudo, desde a colheita da uva até a vindima! Tem até nos pés a marca da sua cultura! Lindo demais, amigo!
Beijos,
Renata
PS: A foto lembra-me o tempo em que, já na Capital, passava as férias no interior, no Noroeste do Estado de São Paulo, onde sempre havia festas, com fogos de artifício, e tudo mais...

Dona Poesia disse...

Ah que poema bonitinho, Daniel! Eu, que estou fazendo dieta por exigência médica, e acabei de comer uma tigelinha de iogurte com cereais, fiquei com água na boca lendo tantas coisas salgadas e gostosas: bacalhau, sardinha, afe!
Só fico na vontade, agora. Mas uva eu ainda posso comer, graças a Deus.
Belas recordações, as suas!

Daniela Filipini disse...

Que lindo :)

VANUZA PANTALEÃO disse...

Daniel, meu amigo!
Esse é mais um dos Milagres dos Peixes. O Milagre da tua fértil Criatividade. Esse Poema é o máximo, parece-me até um filme.
Adorei, adorei de verdade!!!Bjsss

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, querido amigo:
Passando para desejar-lhe um Bom Dia!
Beijos,
Renata

Bandys disse...

A terminar, uma ceia de adiafa
Festa com bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
O forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo encetou a abalada.

Hummm Daniel, deu ate agua na boca.. a menina tambem é linda!

Parabéns!

Beijos

FERNANDA & POEMAS disse...

OLÁ QUERIDO DANIEL, MARAVILHOSAS PALAVRAS NUM SUBLIME POEMA AMIGO... ABRAÇO-TE COM CARINHO,
FERNANDINHA

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Bom dia, Daniel!
Já publiquei o seu poema em nosso Blog, e há mais poemas sobre "Mar" em meu Blog.
Beijos,
Renata

Desnuda disse...

Amei o poema... Confesso ter ficado na vontade deste bacalhau! aff Maria, Daniel!

AFRICA EM POESIA disse...

daniel
passei e deixo...

LAGO


Lago largo lindo e límpido
Olho a água e vejo os peixes
Olho a água e vejo-a azul e transparente
Ao longe...a ponte...

Ponte lembrando a forma de uma mulher...
Ponte serena e esplêndida...
Com formas firmes e fortes...

E ao olhar:
...A água...
...O lago...
...A ponte...

Atravesso-a e consigo...
Sentir-te e abraçar-te!...


Lili Laranjo

Sonia Schmorantz disse...

Vim deixar meu abraço e desejo de que tenhas um maravilhoso domingo!

xistosa - (josé torres) disse...

Pelos vistos também comeu o pão que o diabo amassou.

Foram esses tempos que nos deram a tempera para aguentar os vendavais vindouros.

Tenho saudades (hoje) do chicharro e da sardinha seca que, desde que partiram os "cozinheiros" e "tratadores", nunca mais foi igual.

E um naco de pão, com umas gotas de azeite e meia sardinha (uma fazia mal, que ficávamos enfartados) ?

São tempos que não deixam saudades, mas a nostalgia sempre aparece.

Um bom domingo, com um abração do,