domingo, 26 de abril de 2009

poema








MEDALHAS GANHAS DE QUE POSSUO DIPLOMA
MEDALHAS

Recordações amadas
Como as medalhas são
Carinhosamente guardadas
Medalhas representam
Da vida, pequenos nadas
Há medalhas de colecção
Podem representar
Um tema, um criador de devoção
Bastas vezes editadas
Para uma comemoração
Também para perpetuar
Qualquer distinção
Casos há em que de per si
Se transformaram em colecção
Há diplomas escritos
Mencionando o objectivo da doação
Mais ou menos bonitas
Representam dedicação
Ouro, prata dourada, bronze
Consoante se julga e a menção
O poder económico
Também é tomado em atenção
Grandes e pequenas
Merecem reflexão
Representam
Períodos de devoção
Acabam por representar valores
Grata recordação
Variadas procedências mundiais
Os motivos estão registados
Nos seus próprios anais

Daniel Costa


quinta-feira, 23 de abril de 2009

poema



AVENTURA


A vida é aventura
É-o mesmo que seja
Extremamente dura
A minha se bem contada
Faria chorar
As pedrinhas da calçada
Quiçá o átomo
Mas que nada
Olhemos com optimismo
A sempre fiel amada
Esquecer, não resulta
Equacionar tormentos, sem fim
Resultaria muito ruim
Falo das boas recordações
Dirão muitos:
Mundos de ilusões!...
Falar só em jeito de aventura
Da vida, é atitude segura
Pressupõe optimismo de puritano
Brinquedos, digo em segredo
Só os que fabriquei – aventura!...
Hortas e árvores
As que semeei e plantei
De cereal, confesso que sei
Em enologia total trabalhei
Por fim de sol a sol
Ceifando a jorna ganhei
Tentar perseguir
Alguém ainda cavador
Devia ser vergonha
Dos prepotentes senhores
No Circulo de leitores
Mais audácia e arrogância
Deveriam ter quando expulsos
Prepotentes, que podiam fazer?
Trabalhassem com lisura
Muito tinham de aprender
Deveriam ter sido subservientes!...
Jamais necessitaria de dizer sim
A prepotentes
Nada de hombridade
Criaram ambientes
Pior que masmorras da PIDE
Devem!…
Nunca responderam porquês
Podem, continuar a ser prepotentes!
Oh Zeus!...
Mais uma aventura adeus
Sei trabalhar, Há mais a fazer
Outra aventura
Encontrarei outros ateus!...


Daniel Costa

sábado, 18 de abril de 2009

poema




QUINTAL DAS ACÁCIAS

Longe o matagal
Havia duas avantajadas acácias
Estavam mesmo ali no quintal
Por miríades de flores
A inveja terá sido o mal
Cortou-as o machado
Tinha acabado uma festa
À Senhora do Rosário por sinal
Teria quatro anos
Lembro-me das amarelas cores
Não há enganos
Acabaram mesmo as flores
No quintal
Havia outras Árvores
Outros odores
Plantaram-se mais figueiras senhores
A mirífica paisagem
Da cozinha lembrava amores
Sem enfrentar um queixume
Assassinaram as amarelas flores
Não era o acacial
Da costa a sul, fixando areias
No imediato sul da capital
Eram únicas que vi na costa Oeste
Únicas de bondade alterosa afinal
Acabaram, foi pena
Vegetava ainda o Nazismo, reino do mal

Daniel Costa

quarta-feira, 15 de abril de 2009

poema


LOUCURA

Dizem que sou louco
Dizem
Que me importo
Convivo feliz com a loucura
Amo o mundo
Amo a ternura
Esse manto de brandura
Afastando sofreguidão
Não…
Não vivo num universo
De ilusão
Sei que muitos choram
Porque não têm pão
Encolhem ombros, que mansidão!
Será hipertensão?
Doçura, remédio na escassez!
Deixem-me ser louco
Digam-me que os grandes
Se preocupam um pouco
Apelo à humanidade
Enquanto justiça do alto espero
Esperar humildade e candura
Dos grandes que apenas almejam
Fazer figura
Fazer da justiça bravura
Bendita loucura
A denunciar um mundo de loucos
Fingindo que pensam
Muitas promessas
Para muito arrecadar
Depois muito a poucos dar
Oh loucura!
Olhai a robustez
A dos loucos de vez

Daniel Costa

sexta-feira, 10 de abril de 2009

poema


MÃOS CALEJADAS

Mãos calejadas
Era assim no passado
Resultavam de foices e enxadas
Enxada nas mãos de sol a sol
Não era figo maduro
Tanto nas sementeiras do pão
Como cavar à mão era dar no duro
E cavar vinha à ala?
Mantear para nova vinha plantar?
Era como abrir uma vala
E as mãos calejadas?
Calos cortados à navalha
No começo de cada dedo ainda
Há testemunho, um sulco, uma sala
Cavar vinha, ou ceifar como autómatos
Em cada homem um mundo
Um golpe, de uma enxada
Num mundo, também ele, de enganos
Tapava terra não arada
Bastantes diplomas de medalhas
As mesmas amadas e guardadas
Porém não representam mãos
Calos aparados, com navalhadas
Ainda apresentam os sulcos
Medalhas gravadas
Apenas morrerão amortalhadas
Gravaram-nas cabos
De foices e enxadas
Vidas passadas e
vividas

Vidas cheias, por vezes recordadas

Daniel Co
sta

quarta-feira, 8 de abril de 2009

poema

ESQUIZOFRENIA

Falar da doença bipolar
Falar da patologia
Não é de agradar
No caso antes grito
Conviver com alguém
Ainda que humano paciente
Parece vir uma voz do além
Gritar: tu és mentalmente doente
Conviver com a esquizofrenia
Parece, ou é o irreal da mente
Versão do sobrenatural
Dum mundo fabricado
Ao doente parece real
Não se discute a verdade
Aí residira o mal
É necessário paciência
Ouvir um eco
Uma definição a raiar ciência
Dum lado a hereditariedade
Onde se nota inteligência
No meio o elo, a idade
Passa por nós a evidência
Acabamos, momentaneamente, por ceder
Sofrer consequência
Ressuscitar de novo
Forte no sentido de humanidade
Assumir a doença, o polvo
Carregar com uma cruz
Da sociedade, do povo
Fazer parte das misérias
Tentando encontrar luz
Alegremente
Tentando seja bem conduzida a cruz


Daniel Costa

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Deixo link, veja-se:

http://www.youtube.com/watch?v=uJS7V7gj24U

sábado, 4 de abril de 2009

poema

MULHER AMOR

A principio com Pudor
Sabendo que és minha
Mulher meu amor
Na intimidade
Acabo por ficar mais senhor
Olho com infinita paixão
Infinito ardor
Mulher coração
O aveludado dos teus seios
Hipnotizam meus dedos
Que fremem de fervor e anseios
Apalpado o teu aveludado corpo
Ziguezagueando sem rodeios
De repente
Com pequenos gemidos
Entras em êxtase
Parecem ter despertado os sentidos
Perdes então também o pudor
Entregas-te num desejado
Impulso de ardor
Ah!...
Mulher de puro amor
Como desejamos, mulher
Estes beijos com sabor
Como que a infinitas maresias
Como é gostoso o nosso amor
Feito de melosas sinfonias

Daniel Costa


NOTA: o poema foi escrito, a propósito para o BLOGUE de Renata Maria Parreira Cordeiro. FEMININA -
A piada é que foi escrito por outro alguém de apelido Cordeiro, cujo não é muito vulgarizado.
Poderá parecer blasfémia, mas arrisco e escrevo: DCC = depois de Cristo o Costa.

DCC

quarta-feira, 1 de abril de 2009

poema

ABRIL

Começa com o “dia das mentiras”
Assim, é um dia popular
Nada de safiras
No fundo um dia singular
Em “Abril águas mil”
É do vulgo popular
Mil novecentos e sessenta e quatro
Todo o santo dia chuviscou
Recordo esse desiderato
Chegava a Alcântara
Com extremo aparato
O navio Vera Cruz
Chuva miudinha
Uma desumana espera
Os senhores Generais
Tratavam milhares de homens
Como se fossem bandos de pardais
A espera para desfiles pressupunha
Quererem falar a animais,
Chuva miudinha caía
Sacos de comida individuais
Farda inadequada, não só para a madrugada
A rouquidão ameaçava
O Comboio de Chelas a postos
A Estremoz ainda nos levava
“Abril águas mil”, diz o ditado
Em Sessenta e quatro
Cumpriu-se o fado
Açafatas distribuíam flores
A qualquer casal estrangeiro chegado
Andavam muitos admirando
Na subida do velho Chiado
Com flores eram contemplados
O "Avril au Portugal" tinha chegado
Ninguém saberia
A casa de Garrett
O Teatro Nacional arderia
Em “Abril águas mil”
A democracia orgânica, o que seria?
Talvez a propaganda dos zeros
Em Abril com cravos acabaria!

Daniel Costa
FAZ HOJE 45 ANOS NO MEU DIÁRIO ESCREVI ASSIM:
Dia um de Abril de mil novecentos e sessenta e quatro, é cedo e estamos prestes atracar em Alcântara, os meus camaradas assim como eu com a ansiedade de chegar a Lisboa nem dormimos. Oito horas, começámos a desembarcar sob as vistas de gente cheia de ansiedade aguardando o momento de abraçar os seus entes.
Uma da tarde desfilámos perante o Sr. General, debaixo de chuva, depois seguimos de comboio para Estremoz. Chegados às seis da tarde, fomos recebidos pela população com entusiasmo, seguiu-se o jantar no quartel e a entrega do fardamento. (SIC).

Daniel Cordeiro Costa