terça-feira, 28 de julho de 2009

Poema



VINDIMA

Moita dos Ferreiros
Certa noite atravessei, numa Caminhada
Rumo ao Casal Torneiro
Dirigia-me a uma vindimada
Ali perto do Bombarral
Mantimentos iam no bornal
O patrão Chico Bento
Encarregara de arranjar o grupo
O Américo do Casal
Quinze dias, o desterro
Que soou a liberdade celestial
Dormir na palha era banal
Sustento, batatas cozidas
Chicharro seco e Sardinhada
Sardinha prateada, como se fora para banquete
Aparecia na madrugada
Consistia, em cortar uva, a jornada
De formosa ramada
Cada cesto de pau, quando cheio
Encosta acima a despejar na tina
Para o lagar era transportada
Dezasseis anos, da vida sabia nada
Ouvia historietas, ao som de sorrisos
Fixei uma bastante engraçada
Caso de infidelidade
Vi, dizia o homem:
Foi mesmo de pé, mulher danada
Retorquia esta:
Não gostaste de estar na taberna encantada?
Cesto vazio, cesto cheio
Encosta acima
Vindima terminada
Vinte e dois mil e quinhentos por jornada
O rapaz, se também merecia, os levava
A terminar, uma ceia de adiafa
Festa com bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
O forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo encetou a abalada.

Daniel Costa

domingo, 26 de julho de 2009

poema


O selinho foi-me oferecido por Angela Guedes, detentora do blog do mesmo nome:
http://angelabeneguedes.blogspot.com/

Cumprindo as regras deixadas, nomeio para receber também o selinho os amigos dos seguintes blogues:

Galeria Renata Maria Parreira Cordeiro
Vanuza Pantaleão/Obra Literária
Esconderijo da Bandys
A Casa da Mariquinhas
Ave Sem Asas
Sorriso
Val Du
Dona Poesia
Sam
Jacque

Ficam os sinceros agradecimentos a Angela Guedes


DESILUSÃO
ALEGRIA
MAGIA


Amor e paixão
São alegrias
A ser vividas com emoção
A penumbra será envolta
Em sombras de solidão
Outro tanto se dará
Com alguma desilusão
Mesmo com desaires
Sofrimentos de coração
Tudo interregnos!
Até que chegará a alegria
Suscitará invejas
Acompanhadas de maldição
Brandiremos a espada da magia
Que importa a ousadia?
Uma dose de loucura
Doce presunção
Optimismo sempre presente
A desarmar má intenção
Invejosos jamais vencerão
Para aprender algo
Virados não estão
Infernizados de invejas
Infelizes perecerão

Daniel Costa

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Poema

Oferecido por Jaque, seu perfil: http://www.blogger.com/profile/02086583837072427604

Oferecido pela Bandys: http://esconderijodabandys.blogspot.com/

POEMA DE HOMENAGEM A RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO
Editado em:
Perfil do seu blog :

RENATA

Mulher de letras intemerata
Na pose, na cultura, no amor também
Qual vulcão!
Seu nome Renata
Rê para os amigos, mas Renata Maria
Mais atraente, nome que tem
Com a sua aparente candura, ver-se-ia
Alma bela de poetisa, estrela reluzente
Emana amor, o grande senhor
Interiormente cadente
Exteriormente seu porte é amor
Quando ela passa
Passará a mulher feita tela? Não senhor
Se bem observada
É elegante, sua tez, olhos e alma
Sempre cadente o amor
Sua mente brilhante
Comparável a uma constelação
A um grupo de estrelas
Ao Cruzeiro do Sul, porque não?
Que não ceguem o brilho
Mesmo o esvoaçar cintilante
Bem observada de antemão
Passa uma mulher bela
Mente rica, a seguir seu trilho
Passa a singularidade de uma tela
É a Renata Maria com seu brilho
A grande Renata, mulher singela
Singularidade da pose e da cultura
Renata, se observada quando passa
Observando-a e meditando
Nota-se uma mulher escultura

Daniel Costa



terça-feira, 21 de julho de 2009

poema



Selo que o blogue Casa da Mariquinhas, da Mariazita, ofereceu: http://acasadamariazita.blogspot.com/


Selo que a bloguer Criss, de SORRISOS, ofereceu:
Fachada do Museu Etnográfico da cidade diamantífera da cidade do Dundo. Nos anos sessenta, o melhor do género de toda a África



Bailarina luba, quioca da Província angolana da Lunda, cuja capital é Saurimo que, oficialmente, foi Henrique de Cavalho.


MULHERES QUIOCAS

Interessantes as mulheres quiocas
Estão na Província angolana da Lunda
Bonitas, como poucas
Vivem na fronteira com o Zaire
Zona diamantífera de histórias loucas
Usual e habitual a poligamia
Labutam no campo, como poucas
Quando perdem o cabaço
Com o homem amado, ficam taralhoucas
Pintam de branco o seu corpo
Fica belo e alvo enquanto tisnado
Como quem diz olhem: já pertenço a alguém
O rico como polígamo
Estima-se pelas mulheres que tem no harém
Na margem do rio Luachimo
É feito o casamento
Por negociações,
Designa-se alambamento
Aconteceu um dia
Como gado não havia naquele momento
Reunira-se os anciões
Para se efectivar um casamento
Funcionariam muitos tostões
Foi apenas uma observação
Não passava disso, de início de serões
Conferenciavam na sua língua
Teciam: a miúda é bonita
Ainda tem cabaço
Vale, um homem de bens
Valorizavam, faltava apenas o laço
Genarié?
A menina ainda tem cabaço!
Mata… ai ué!

Em quioco:
Cabaço = virgindade
Genarié? = Como se chama?
Mata = senhor
Ai ué = ai Jesus

Daniel Costa



sexta-feira, 17 de julho de 2009

poema



AVENAL


Desafiado pelo Toino Tchim


Um amigão, afinal


Bastantes dias, vinha, cavei


Na quinta do Avenal


Montados nas bicicletas


Íamos pelo Toxofal


Ali na padaria


Na do Carlos padeiro


Ainda madrugada


Adquiríamos o casqueiro


Da primeira fornada


Tomávamos o “Mata-bicho”


A manhã despontava


De bom vinho


A velha cornada


Dizia o caseiro:


Quem se negue, não é homem


Não é nada!...



A seguir iniciava-se a jornada


O caseiro estimulava


A cada nova rodada:


Quem se negue não é homem


Não é nada!...


Mais vinho servido na canada


O copo feito de corno de boi


Passara a alvorada



Daniel Costa

terça-feira, 14 de julho de 2009

poema


Selos aferecidos pela amiga Renata! Veja aqui o seu comentário e sinta o prazer de conhecer o blog GALERIA RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO, pressionado no nome que encima este.



ANA

Nome pequeno
Mulher alta e bela
Olhar sereno
Mulher do Cruzeiro do Sul
Não tem cabelos loiros
Onde o mar é ameno e azul
Terá netos como tesoiros
Serenos mares e praias desse sul
Onde Ana veraneia
Lindos olhos de azul
Perfil de sereia
Rosto de serenidade
Atitude que enleia
Diriam assim marinheiros antigos
Da cantada sereia
A imagem jeito fazia
Ao poeta da odisseia
Dava verso a profecia
Todas as Anas fossem assim
Serenas se desejava e queria

Daniel Costa


sábado, 11 de julho de 2009

poema

http://brincandocomarte.blogspot.com/

Oferta da Criss! veja o seu blog, que acompanho há mais de ano e meio.

Foto de Cláudia Cardinali que me foi enviada para Angola em 1963. Foi à cidade da Gabela. Como entretanto tinha sido adido a um novo Esquadrão, foi-me reenviada para a Lunda Norte, vila de Portugália, a sete quilómetros e meio da fronteira com o Congo ex-belga.

VICÍOS

Apelidar de desperdícios
Todas as actividades
Relacionadas com vícios
Fumar, comer ou bebericar
Jogar, muitos outros tentar
Dir-se-á que são tiques
Os vícios serão de experimentar
Ver e aprender estará bem
Desde que não se passe o limiar
Passar o patamar será doce
Mas causa danos de arrepiar
Por exemplo, se drogar
Causará incompatibilidades
Com terceiros, que a notar
Sofrendo serão os primeiros
Ao prazer
Vícios podem suceder
Quem se vicia, arrisca-se
Prematuramente a perecer
Quem gostar de viver
Terá de procurar outro prazer
Deixar o vício tomar poder
É achar-se forte, mandão
Afinal prepotente,
Doente então
Deixou que o vício o domasse
Na sua vida entrasse
Qual sereia, que atrai e enleia
Transforma
Na sua própria teia
Contra o vício, sejamos fortes
Não é, o danado, a doce Hermengarda
É como demónio de espada
Denodadamente içada

Daniel Costa

terça-feira, 7 de julho de 2009

poema





JUNHO NA NAZARÉ

Mês dos Santos Populares
É o de Junho das datas festivas
Fogueiras e arraiais como altares
Onde reina a sardinha assada
Degusta-se como um dos manjares
Primeiro Santo António a treze.
Muito andou pela Lisboa da moirama
Ficou famoso
Andou muito por Alfama
Depois das marchas
Arraiais nos bairros antigos, os de mais fama
Vinte e quatro o S. João no Porto
Santo que não seria tão brincalhão
O povo não fica absorto
Na zona da Ribeira faz-lhe um festão
Arraiais onde abundam martelinhos
Festeja-se com alegria S. João
A vinte oito S. Pedro
A piscatória Póvoa de Varzim
Dedica-lhe muita devoção
Sai o povo à rua a adorá-lo
Marcham e festejam com coração
Por todo o país é assim
A profana devoção
Os Santinhos e a sardinha na brasa na Nazaré
Também estiveram presentes
Não podiam ali sofrer tratos de polé
O povo também é muito crente
Nas traineiras os pescadores
A trouxeram-na do mar em frente
Que se venerem os Santos
Venha a sardinha assada
Minha gente

Daniel Costa
Que também captou as fotos na Nazaré

sexta-feira, 3 de julho de 2009

poema


SEREIA

Num certo dia de Outubro
Dei um mergulho no Baleal
Passara à Atouguia da Baleia
Perto de S. Leonardo, a Catedral
Não estava acompanhado
Olhando a lua cheia
Surgiu uma bonita sereia
Conversa agradável meteu
Insensível à beleza, não serei eu
Com promessas agradeceu
Regressando por Atouguia da Baleia
Com o mavioso canto de sereia
Brejeira, solicitou boleia
Afinal queria farra,
Em noite de lua cheia
Cada vez mais a voz encantava
A isso não ligava
O tom de beleza admirava
Não me comovia
Outro compromisso importava
A sereia não sonhou
Nessa noite de lua cheia
Até madrugava, como planeava

Daniel Costa