quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

poema

LÁ NO ESCRITÓRIO

Depois da jorna, sol a sol
Quero dizer, todo o santo dia
Coordenar o rancho
Na guerra de Angola
Dos militares de uma companhia
No princípio do rol
Passar pelo lugar de caixeiro
De ginjinha, como a Popular
Primeiro
Depois a chamada Avenida
Veio o inesquecível escritório
Era o da Fotogravura União
Da Travessa das Mercês
Um desejo nesta Lisboa ribeirinha
A suprema ambição
Que na vida tinha
Sem ninguém dizer o que fazer
Era sozinho de repente a absorver
Mundos de zincogravuras
Coordenava em horas a correr
Tipografias, revistas, jornais
Agências de publicidade, Laboratórios
Não sei que mais
Patrão Chico Bento presente reparava
Ao telefone algo combinava
Enquanto o outro tocava
Alguém atendia,
Porém o falante esperava
Parecia magia
A quem chão para os pés puxara
Era mil novecentos e noventa e Seis
Reapareceu um jornal
Tratava-se de o vespertino a “Capital”
Abria redacção, junto, frente ao “Século”
Todas as gravuras produzidas ali afinal
Pressupostamente não almoçava
Tinha de ficar atento
Pagava e recomendava
O admirador, já amigo
Patrão Chico Bento
Dali, constantes solicitações
Mais as do Manuel Ornelas
Do Fausto Gonçalves
Do Gomes, do Helder, do Canhão
Câmara Leme e muitos outros
Formavam um correpio
Pelos telefones internos
Atento, aprendia e resolvia
Se necessário a cada departamento
Oficinal observar o andamento ia
Chico Bento via
Assim mesmo, senhor Daniel
Por hoje tudo entregue?
Fica a engrenagem a rolar
Não se esqueça!...
Amanhã continuaremos
Nascia de novo o sol
Chegava novo dia
Mais a encantadora Magia

Daniel Costa

8 comentários:

mundo azul disse...

Por vezes, nos chateamos com a rotina, mas, quando algo desagradável acontece, temos saudades dela...

Seu poema é ótimo...Disserta muito bem sobre o vai e vem desse nosso mar, chamado vida!

Beijos de luz e um dia muito feliz...

Val Du disse...

A vida, às vezes é uma correria.
São tantos os acontecimentos, ora interessantes, ora nem tanto. Mas com toda certeza recordar é reviver.

Um beijo.

NAELA disse...

A vida é um corre corre...o ritmo pode ser alucinante o que importa é tirar o maximo de prazer!
Como sempre Daniel mais um dos teus interessantes poemas!
Beijo doce

São disse...

Até a rotina nos pode ser saudosa, por vezes...
Bom final de semana.

xistosa - (josé torres) disse...

Não sou saudosista.
Mas uma vida de trabalho deixa-nos marcas agradáveis, mesmo que tortuosas na altura.
Recordar é viver.
E quando recordamos com gosto revivemos.

Bandys disse...

Nossa Daniel, adorei o blog...
Parabéns!!

R claro o "poema" que fala da vida dio cotidiano,

Belíssimo!!
Parabéns!!

beijos

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

O sol renascendo a cada dia de labuta...Muita gente lamentando pelo trabalho honrado e diário e tu nos brindando com esse excelente Poema.
Parabéns, meu Amigo!!!Bjs

EternaApaixonada disse...

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Um poema que faz brilhar os olhos, bater forte o coração, nesse inquietante momento de cada recomeço...
Lindo, lindo!
Sentir a vida pulsando assim só aumenta a vontade de aqui retornar, sentar na primeira fila e ficar...
Que a semana que recomeça nesses dias, que antecedem o Natal, lhe seja muito inspiradora e plena de amor!
Beijos com meu carinho

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