quarta-feira, 24 de março de 2010

Poema


Praia da Consolação, lado sul, um dos sítios mais iodados do mundo

Praia da Consolação, areal até à de Contubos, da cidade de Peniche  

Nota de mil escutos, dos anos cinquenta

MIL PAUS

Surgiu o mais novo dos Naus
com a sua dose de loucura
Vamos á feira da Ribeira trago mil paus
Não era um engano
Eram apenas mil escudos
Uma fortuna trazia o garoto paisano
Nos anos quarenta, a seguir à guerra
Estávamos afinal num mundo de engano
Era Quinta-feira
Aquele grupinho de pés descalços
Em pelotão, foi a correr à feira da Ribeira
Ninguém até ali conhecia
Tão bonito lençol
De tão grande Valia
A importância, um quarto dava para calçar todos
Mas o respeito que nos merecia
Deu para trazer intacta a nota
Se o pai Nau desse pela falta
A aventura daria torta
O Chopo era assim
Um bom “vivan”, um bom amigo
Um dia a professora, que não era ruim
Levou-nos de passeio à praia da Consolação
É junto à cidade de Peniche
Sete quilómetros, a andar a pé, de escantilhão
Ainda havia marés a trazer bonitas conchinhas
A casa dum milionário na nossa visão
Disse o Nau, o Chopo
Ali mora um homem com mil notas de mil, pois então!
Em comparação com o velho, Nau
Que apenas tinha cem, era um valentão
Cenas que recordo
Como do Chopo, algumas vezes
Com estes bonitos sonhos acordo
Idades felizes
A dose de loucura, a aventura, a idade do sonho
Mil paus, o que equivalem em Dólares ou Euros
Hoje não dá para flores, nem para um molho

Daniel Costa

16 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Lindo! Dinheiro, pra quê? Se tanto Amor, declaras em seus versos, simplesmente dispensável!
Beijos, querido Daniel*

****
Tudo ouvirás, pois que, bondosa e pura,
Me ouves agora com melhor ouvido:
Toda a ansiedade, todo o mal sofrido
Em silêncio, na antiga desventura...

Hoje, quero, em teus braços acolhido,
Rever a estrada pavorosa e escura
Onde, ladeando o abismo da loucura,
Andei de pesadelos perseguido.

Olha-a: torce-se toda na infinita
Volta dos sete círculos do inferno...
E nota aquele vulto: as mãos eleva,

Tropeça, cai, soluça, arqueja, grita,
Buscando um coração que foge, e eterno
Ouvindo-o perto palpitar na treva.
Olavo Bilac*

Sempre um prazer vir aqui e vi.ver as suas memórias!
Tenha um dia cheio de Sol!
Obrigada.

Fernanda disse...

Olá amigo Daniel,

O seu poema fala da sua praia da Conceição a mais iodada, a mais bela e de dias que não voltam...
Voltam só na nossa memória :))

Adorei, fez-me lembrar a minha infância!

Beijinhos

Pensador disse...

Muitas vezes me pego a recordar cenas de minha infância. É muito bom. Afinal, como se diz, recordar é viver...
Abraços, Daniel!

SAM disse...

Querido amigo, um poema escriro e contado de forma divina! Adorei.


Carinhoso beijo.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

É fechar os olhos e ver-te,

é pensar em ti e poder ouvir-te,

é poder tocar-te, é abraçar-te,

sentir teu cheiro mesmo sem estares aqui...

É ouvir um eco suave o som das tuas palavras,

é olhar para o infinito e ver teus olhos fixos olhando para mim...

Sentir-te, é não precisar pedir para fazer o que quero sentir,

é não precisar pedir pra dizer o que quero ouvir

mesmo sem encontrar palavras...

Sentir-te é um sentimento que não dá para tirar conclusões

ou inventar palavras para expressar ...

Entre todas as coisas,

é poder explicar o que não tem explicação,

é um sentimento bom e ruim ao mesmo tempo...

Sofro por não te ter pra te dar tudo que sinto...

Sofro o medo e a insegurança de perder-te...

Será??

Amorrr
Poema da Renata

***

Beijos, meu querido Daniel teadoro******************
Bom Noite!
Renata

Fernanda disse...

Querido amigo Daniel,

Agradeço a visita e o comentário.
Não vejo selos no teu Blog, mas se gostas podes trazer todos os que quiseres,
São teus.

Beijinhos
Fernanda Ferreira (Ná)

nely disse...

Recordando e vivendo.

Abraços.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, Daniel!

"Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida
Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos"

Mia Couto.

Beijos, querido!
Lindo Dia!

PS: Sabe que nasci doida, não sei se foi Deus, sei lá ++++o quê. Só sei que me deu uma comichão e quis publicar e... publiquei!

Everson Russo disse...

Meu amigo, como sempre divino seu dominio com as palavras, o descrever de cenas,,,de paisagens, sentimentos, e tudo que mora dentro e fora do coração...abraços fraternos e tenha um belissimo dia.

Pérola disse...

Lindo o seu poema meu grande amigo.
A forma como lida com as palavras me emociona.
Parabénssssssssssss.
beijokas mil.

Felina Mulher disse...

Tudo foi tão perfeitamente escrito e descrito,palavras e sentimentos bem ordenados. Belo!


Uma noite de bons sonhos meu anjo querido.


beijos meus embrulhadinhos em abraços.

lita duarte disse...

Daniel,

Sabes mesmo contar uma história.
Prosa ou verso, sempre é bom te ler.

Beijos.

Lúcia Leme disse...

Que bonito.

Bjus

Mariazita disse...

Olá, Daniel
Como é bom recordar!
Aqui faze-lo na forma dum belo poema, a que imprimes uma certa nostalgia ao dizeres:
"Hoje não dá para flores, nem para um molho"
É bem verdade, isso!
Como os tempos mudaram. E, nem em tudo foi para melhor... :(

Beijinhos

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Bom Dia, Daniel!
Recebi esta mensagem e a repasso a ti e a todos*******************
Beijos*

*****
PÁSCOA...

é ressurreição,

é renascimento,

então, nada melhor do que coelhos,

para simbolizar a fertilidade!



. . /` \ .. /` \

. .(/\••\-/••/\)

..... (•o••o•)

..... >{=•Y•=}<

. ... /'--^--'\

.....(_)::::(_).......



Eu desejo que sua Páscoa seja muito feliz e que eu possa continuar tendo uma amizade tão especial como é a sua!
*********
Tenha um ótimo dia!
Já já saio. Hoje, minha mãe faz 83 anos. Vamos passear!

Everson Russo disse...

Trazendo um abraço fraterno ao amigo poeta e desejando um maravilhoso final de semana de paz.